Alta comissária da ONU denuncia EUA por armarem Israel

Pillay afirmou que Washington não faz o suficiente para deter a ofensiva israelense em Gaza e deveria trabalhar mais pelo diálogo 

O Estado de S. Paulo

31 Julho 2014 | 11h59

GENEBRA - A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, denunciou nesta quinta-feira, 31, os Estados Unidos por proporcionar armamento ao Exército israelense e não fazer o suficiente para deter a ofensiva contra a Faixa de Gaza.

"Os EUA têm influência sobre Israel e deveriam fazer mais para parar as mortes, para que as partes em conflito dialoguem", disse Pillay, citando a ajuda financeira e a entrega de armas dos EUA a Israel.

O porta-voz do Pentágono, o contra-almirante John Kirby, confirmou na quarta-feira as informações sobre o envio a Israel de mais material de guerra a pedido das Forças de Defesa israelenses. A venda de munição é estabelecida para casos de emergência no chamado Inventário de Reservas de Munição de Guerra de Israel, que permite aos israelenses dispor de armamento de maneira urgente.

Entre esse material há partes necessárias para lança-granadas e peças de morteiro de 120 milímetros, como o que provocou a morte de 19 pessoas refugiadas em uma escola das Nações Unidas na quarta.

Pillay informou sobre essa entrega de munição e sobre a ajuda que Washington presta a Israel para manter em funcionamento o sistema antifoguetes "Domo de Ferro", que protege o território israelense dos foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza. "Os EUA não só fornecem artilharia pesada usada em Gaza, mas gastou quase US$ 1 bilhão para proteger o país contra os foguetes palestinos. Uma proteção que os civis de Gaza não têm."

A alta comissária insistiu que os EUA não ajudem Israel apenas em tempos de guerra, mas também em tempos de paz, quando Tel-Aviv continua violando a lei internacional, expandindo seus assentamentos e mantendo um bloqueio à Faixa de Gaza, que é ilegal.

"Os EUA também deveriam fazer mais para acabar com o bloqueio aos territórios ocupados. Deveriam fazer mais para acabar com os assentamentos. Lembremos que os EUA votam contra, tanto no Conselho de Direitos Humanos como no Conselho de Segurança, todas as resoluções que condenam o bloqueio e os assentamentos."

Pillay se referiu às dezenas de resoluções, relatórios de relatores especiais e conclusões de comissões de investigação internacional nas quais são identificadas flagrantes violações aos direitos humanos e à lei internacional por parte de Israel. "Parece que há um desafio deliberado de Israel a não cumprir com suas obrigações internacionais. Não deveríamos permitir esse tipo de impunidade. Não deveríamos permitir que não se averiguem nem se persigam flagrantes violações."

A comissária da ONU lamentou que Israel não tenha estabelecido nenhum mecanismo de prestação de contas e lembrou que onde o sistema interno falha tem que ser aplicado o internacional.

A representante da ONU assinalou que, segundo os últimos dados, desde que começou a ofensiva israelense em Gaza morreram 1.263 palestinos e 59 israelenses. /EFE

Mais conteúdo sobre:
Israel Gaza ONU EUA Navi Pillay

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.