Alta da gasolina é iminente, diz Venezuela

Alta da gasolina é iminente, diz Venezuela

Para chefe do BC venezuelano, 'condições estão dadas' para o aumento no preço do combustível

O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 02h04

CARACAS - O presidente do Banco Central da Venezuela (BCV), Nelson Merentes, declarou ontem no canal Televen que "as condições estão dadas" para um aumento da gasolina no mercado interno venezuelano. Atualmente, o litro do combustível é vendido a US$ 0,01 aos consumidores do país. Teme-se que um eventual aumento no preço do produto cause convulsão social e diminua ainda mais a popularidade do presidente Nicolás Maduro.

A exportação de petróleo é a maior fonte de dinheiro do governo venezuelano. Com a receita que obtém com a venda da commodity no mercado internacional, Caracas financia o funcionamento do Estado e os subsídios para a compra de alimentos e gasolina, além dos programas sociais que garantiram ao chavismo sua popularidade entre os mais pobres.

Em razão dos baixos preços que o barril do petróleo tem alcançado no mercado internacional, especialistas consideram que o governo venezuelano não será capaz de evitar uma diminuição no subsídio à gasolina negociada no mercado interno - o que implicaria o aumento do combustível.

Em 1989, em meio a outras impopulares medidas de ajuste econômico por parte do governo de Carlos Andrés Pérez, uma elevação no valor da gasolina causou a onda de manifestações que ficou conhecida como "Caracaço". Centenas de pessoas morreram em meio à violência relacionada aos protestos.

"Creio que é preciso fazer isso (aumentar a gasolina), chegará o momento de fazê-lo", afirmou o presidente do BCV à tevê venezuelana.

De acordo com Merentes, porém, a baixa no preço do barril de petróleo venezuelano - que chegou a US$ 40,30 em janeiro e, segundo a mais recente cotação, valia US$ 47,05 - cria uma oportunidade de crescimento para a economia venezuelana.

"É um bom momento para se sentar com os setores produtivos para melhorar a capacidade de produção e ir ao modelo de exportação", disse, afirmando que o novo modelo cambiário venezuelano, que além de duas bandas totalmente controladas pelo Estado tem uma terceira cotação do dólar, flutuante, está sendo usado também para esse objetivo. "Sim, deve haver crescimento econômico na Venezuela (neste ano)", disse.

Merentes não informou quando o governo pretende aplicar o aumento na gasolina. Em agosto, Maduro disse que isso poderia ser aplicado "dentro de um mês, um ano, dez anos", afirmando que a medida ocorreria "sem perturbações sociais ou políticas, mas com um consenso nacional". "A hora de aumentar a gasolina vai chegar. Mas, agora, não é o momento", disse em dezembro.

Inflação. Um relatório publicado na sexta-feira pelo BCV indica que os preços dos alimentos e das bebidas não alcoólicas se elevaram 102% entre dezembro de 2013 e dezembro de 2014. Hotéis e restaurantes elevaram os preços em 90,8%, seguidos pelo setor de serviços e educação, que aumentaram seus preços em 81,4%.

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