Alta de 2% do PIB vira tema de eleição nos EUA

Obama comemora crescimento no 3º trimestre; Romney diz que índice é insuficiente para reduzir desemprego

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2012 | 03h07

A economia dominou a agenda da campanha eleitoral nos EUA ontem com o anúncio do crescimento de 2% do PIB no terceiro trimestre e um discurso do candidato republicano Mitt Romney, que afirmou que o presidente Barack Obama fracassou na sua tentativa de melhorar a situação econômica do país.

Os dados divulgados pelo Departamento de Comércio foram usados pelos dois candidatos. A campanha de Obama celebrou o número, afirmando ser um avanço em relação ao segundo trimestre, quando o crescimento foi de 1,5%. Além disso, parte da melhora ocorreu graças a uma elevação no consumo, que corresponde a 70% do cálculo do PIB nos EUA.

Assessores de Romney, no entanto, disseram que um crescimento de 2% do PIB é insuficiente para garantir uma redução no índice de desemprego, atualmente em 7,8%. Segundo economistas, apenas um crescimento superior a 2,5% poderia contribuir para um aumento expressivo no número de postos de trabalho.

Desde o início da disputa pela presidência, analistas afirmavam que a economia dominaria o debate eleitoral. Ao longo dos últimos 45 dias, porém, a política externa, que estava em segundo plano, cresceu em importância em razão do atentado contra o Consulado dos EUA em Benghazi, em 11 de setembro, que matou o embaixador americano John Christopher Stevens. Na próxima semana, será anunciado o índice de desemprego.

Enquanto Obama não teve grandes eventos de campanha, Romney aproveitou o dia para discursar em Iowa prometendo "revitalizar a economia americana". "Em vez de mais gastos, mais empréstimos da China e mais impostos de Washington, nós renovaremos o poder do povo livre em busca de seus sonhos", disse o republicano. Em seguida, ele voltou a afirmar que o presidente não possui nenhum plano para melhorar a economia.

Segundo pesquisas, os dois candidatos permanecem empatados. No Colégio Eleitoral, levando em conta os delegados de cada Estado, Obama segue com um ligeiro favoritismo. Em Ohio, considerado um dos Estados mais cruciais da eleição, o presidente tem 50% das intenções de voto contra 46% de Romney, de acordo com pesquisa da CNN.

Em uma nova polêmica da campanha, o ex-senador John Sununu, um dos comandantes da campanha de Romney, afirmou ontem, em entrevista, que o republicano Colin Powell, secretário de Estado durante o primeiro mandato de George W. Bush, apenas declarou voto em Obama por que os dois são negros. Mais tarde, depois de sofrer duras críticas, ele pediu desculpas pela afirmação.

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