Antonio Calanni / AP
Antonio Calanni / AP

Calor na Europa causa crises no campo e na política

Bruxelas anuncia que está antecipando a distribuição de recursos programados para chegar apenas em dezembro aos fazendeiros; oposição grega pede renúncia de premiê em razão dos incêndios que mataram 90

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2018 | 07h23

GENEBRA - A onda de calor que assola a Europa desde a semana passada provoca perdas econômicas no campo e até mesmo crise política em certas regiões.

Na Grécia, o partido Nova Democracia quer que o primeiro-ministro Alexis Tsipras renuncie em razão de incêndios que deixaram 90 mortos. Pelo menos um de seus ministros já abandonou o cargo. 

A Comissão Europeia adotou medidas para permitir que fazendeiros abandonem certas exigências de manutenção do meio ambiente para desviar água para os animais. Na semana passada, fazendeiros suíços pediram a ajuda do Exército para levar água até vacas que, durante o verão, ficam em regiões de maior altitude. Nove operações já foram realizadas, com milhares de litros sendo transportados para áreas montanhosas de Saint Gallen. A cidade de Sion registrou no domingo 36,2°C.

Bruxelas anunciou que está antecipando a distribuição de recursos programados para chegar apenas em dezembro aos fazendeiros. O objetivo é que o dinheiro possa compensar as perdas com o calor e seca. 

No Reino Unido, a perda com a produção de cenoura e cebola pode ser de 40%, e 25% da produção de batata da Alemanha deve ser reduzida. Na Holanda, 60% da produção de milho foi gravemente afetada. Na Dinamarca, entre 40% e 50% da colheita deste período deve ser prejudicada, de acordo com o Conselho Agrícola do país – as perdas podem chegar a US$ 944 milhões. Na Alemanha, associações de produtores agrícolas estimam prejuízo superior a US$ 1 bilhão. 

Na França, a previsão é a de que a produção anual de trigo caia de 36 milhões de toneladas para 34 milhões. Na Alemanha, a queda na produção de trigo deve ser de 25% neste ano. No mesmo setor, o impacto do calor já aponta para uma alta nos preços finais dos produtos a partir da semana que vem.

Na  Suécia,  o governo já reservou mais de 120 milhões de euros para sair ao resgate de fazendeiros – 35% da produção de cereais foi perdida. O calor fez com que o pico mais alto perdesse o status de ponto mais elevado da Suécia. O derretimento do topo do Monte Kebnekaise tem sido constante desde a semana passada, levando-o a deixar de ter 2,1 mil metros de altitude. A temperatura do mar atingiu uma marca de recorde de 25º C. 

Outro impacto tem sido nos reatores nucleares, que necessitam de água fria. Na Alemanha, algumas centrais reduziram a produção de energia para tentar se adaptar às novas temperaturas de operação. 

Na Finlândia, a cidade de Rovaniemi, conhecida por ser a base de onde o Papai Noel parte para distribuir seus presentes, registrou temperaturas inéditas de 32º C. A cidade raramente vê o calor superar a marca de 25º C durante o verão.

Sem aparelhos de ar-condicionado para a função verão, a cidade admite que não estava preparada. Uma das redes de supermercados do país permite que a população descanse alguns instantes nas lojas, aproveitando-se da temperatura mais baixa dos setores de congelados. 

 

Na França, hospitais de algumas províncias não contavam com ar-condicionado e o governo foi obrigado a anunciar medidas para instalar aparelhos às pressas. Na Bélgica, motoristas de ônibus exigiram uma mudança na lei para permitir que possam dirigir com bermuda. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.