Alto comando militar acusado de corrupção

O atual comandante-chefe das Forças Armadas peruanas, brigadeiro Miguel Medina, foi denunciado nesta quarta-feira por corrupção, junto com 100 outras pessoas por uma comissão legislativa encarregada de investigar a origem da fortuna do foragido ex-assessor de inteligência Vladimiro Montesinos. A comisão entregou seu informe ao Congresso na madrugada desta quarta-feira, após seis meses de trabalho, indicando ter encontrado cerca de 180 pessoas - entre ex-funcionários do governo anterior, militares, empresários e outros - implicadas em delitos de corrupção. Uma delas é o brigadeiro Medina, da Força Aérea e atual chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas, que, segundo a comissão, é responsável pela compra irregular de aviões de combate MiG-29 da Rússia. "Nós o interrogamos e comprovamos que, lamentavelmente, ele não cumpriu com (os deveres do) seu mandato. Sendo inspetor-geral da Força Aérea, comprovou a qualidade e a segurança de três aviões MiG-29 destinados à segurança nacional, sem que assim fosse", disse a legisladora Anel Townsend, membro da comissão. Segundo investigações, Montesinos e seus aliados militares se beneficiaram da compra de material bélico, cobrando polpudas comissões no valor de milhões de dólares. Junto com Medina - que em abril foi nomenado chefe das Forças Armadas pelo presidente interino Valentín Paniagua, como parte de uma "limpeza" na instituição militar -, mais de 50 outros altos oficiais militares e policiais também foram denunciados pela comissão legislativa. O papel da comissão é indicar os envolvidos e recomendar às autoridades legislativas e judiciárias que formulem as acusações que considerarem pertinentes.

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