AP Photo/Esteban Felix - 28/05/18
AP Photo/Esteban Felix - 28/05/18

Alto Comissário da ONU cobra medidas para frear 'clima de medo' na Nicarágua

Zeid Ra'ad Al Hussein condenou repressão das forças do governo Daniel Ortega contra manifestantes da oposição e exigiu medidas para evitar 'distúrbios políticos e sociais mais graves' no país

O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2018 | 04h35

GENEBRA -  O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu à comunidade internacional a adoção de medidas para frear a crise da Nicarágua, consumida por um "clima de medo" em razão da violenta repressão das forças do governo contra manifestantes da oposição.

"A repressão contra os manifestantes prossegue na Nicarágua enquanto o mundo inteiro assiste", disse o Alto Comissário para Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra'ad Al Hussein, em comunicado. "A violência e a impunidade nos últimos quatro meses destacaram a fragilidade das instituições do país e do Estado de Direito, gerando um clima de medo e desconfiança."

As manifestações contra o presidente nicaraguense Daniel Ortega começaram em abril após o governo apresentar uma proposta de reforma previdenciária. Rapidamente, os atos passaram a exigir a sua renúncia após a repressão do governo contra a oposição. Balanços estimam que os confrontos deixaram mais de 300 mortos e dois mil feridos. 

Em julho, a estudante brasileira Raynéia Gabrielle Lima foi morta a tiros em circunstâncias ainda não esclarecidas pelo governo local. Nesta semana, a cinegrafista brasileira Emilia Mello foi deportada da Nicarágua para os Estados Unidos, onde também tem cidadania, após tentar gravar um documentário sobre a situação dos protestos.

O comunicado do Alto Comissário também destaca a violência da oposição contra sandinistas, funcionários do governo e forças de segurança, que resultou na morte de 22 policiais.

"O grau de brutalidade dos confrontos, que incluem queimaduras, amputações e profanação de cadáveres, ilustra a grave degeneração da crise", diz o Alto Comissário, que divide a crise nicaraguense em dois momentos: a "repressão" por parte de forças do governo e paramiliares e a "limpeza", nas quais a polícia derruba barricadas e barreiras montadas por focos de resistência da oposição.

O Alto Comissário também alerta que manifestantes e opositores ao governo "têm sido perseguidos e criminalizados" por paramilitares armados "com absoluta impunidade". 

"Peço que o Conselho de Direitos Humanos e a comunidade internacional adotem medidas específicas para dar fim à crise atual e evitar distúrbios sociais e políticos mais graves", afirmou Hussein. //AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.