Bloomberg photo by Andrew Harrer
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Alto escalão e vice de Trump receberão aumento enquanto servidores ficam sem salário, diz 'Post'

Em 2013, o Congresso americano promulgou uma lei limitando os reajustes de salário dos principais executivos federais, e ela precisa ser renovada a cada ano, o que não aconteceu em 2018

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2019 | 17h04

WASHINGTON - Enquanto muitos servidores federais estão sem pagamento com a paralisação parcial do governo americano, centenas de assessores do alto escalão do presidente Donald Trump estão prestes a receber um aumento anual de cerca de U$ 10 mil. 

O aumento aos secretários, vice-secretários, administradores e até mesmo o vice-presidente, Mike Pence, está programado para ser pago a partir de amanhã sem necessidade de aval do Congresso, de acordo com o jornal Washington Post, que cita documentos do Escritório de Gestão de Pessoal e especialistas.  

O aumento, ao mesmo tempo, é uma consequência da paralisação: quando legisladores não conseguiram votar o projeto de lei de financiamento de múltiplas agências federais no dia 21, eles permitiram que uma lei sobre congelamento de reajustes do alto escalão fosse derrubada. 

Em 2013, o Congresso americano promulgou uma lei limitando os reajustes de salário dos principais executivos federais, e ela precisa ser renovada a cada ano. Dessa vez, os aumentos ocorrerão porque o limite para renovar essa lei vai expirar amanhã sem uma ação legislativa, permitindo os pagamentos dos reajustes, com os cheques emitidos a partir da semana que vem. 

Secretários de gabinete, por exemplo, poderão ter seus salários elevados de US$ 199.700 para US$ 210.700. Subsecretários receberiam aumentos de US$ 179.700 para US$ 189.600. Outros beneficiados são vice-diretores e outros altos funcionários. 

O salário de Pence está programado para subir de US$ 230.700 para US$ 243.500. A Casa Branca não comentou o caso nesta sexta-feira. 

O sistema de ajustes de pagamento do governo ainda precisa ser implementado, segundo um assessor do Congresso. Mas devido à dura negociação sobre o projeto de orçamento que impôs um impasse no restante do país, "a situação não é bonita", disse um ex-funcionário do Departamento de Segurança Interna Jeffrey Neal. 

Enquanto isso, cerca de 800 mil funcionários públicos federais, de um total de cerca de 2,1 milhões, estão sem receber seus salários dado à paralisação parcial do governo que teve início há 13 dias. Desses, cerca de 380 mil estão de licença. Muitos outros estão trabalhando sem pagamento, e pouco antes do ano-novo, Trump ordenou o congelamento de pagamento para a maioria dos funcionários públicos, trabalhando ou não. 

"Suspeito que o presidente não esteja ciente dessa disparidade, de assessores indicados por ele recebendo aumento e vários funcionários sem pagamento", disse John Palguta, ex-funcinário de carreira do governo da área de recursos humanos. "Isso soará terrivelmente injusto." 

O Escritório de Gestão de Pessoal não atendeu ao pedido de entrevista feito pelo Post

Preocupação

A situação sobre os reajustes foi discutida em profundidade durante uma reunião na segunda-feira entre funcionários do Escritório de Administração e Orçamento e do Escritório de Administração de Pessoal, que estão se encontrando regularmente para discutir situações causadas pela paralisação. Algumas autoridades que participaram da reunião demonstraram preocupação com a repercussão da história e discutiram como responder aos questionamentos sobre ela. 

Os aumentos podem custar cerca de US$ 300 milhões em dez anos ao contribuinte, segundo a Associação de Executivos Seniores, que representa os cerca de 7 mil funcionários de alto escalão do governo. O diretor dessa associação, Jason Briefel, disse que o congelamento dos ajustes foi uma medida política que ao longo dos tempos tornou mais difícil levar "bons funionários" para trabalhar no governo e continuar com ele é prejudicial para contratar grandes talentos. Mas derrubar esse congelamento nesse momento, segundo ele, é "definitivamente um tapa na cara" dos demais funcionários do governo. 

O congelamento dos ajustes, aprovado pelos legisladores republicanos no Congresso durante um recesso da administração Obama em 2013, tem sido objeto de disputa entre republicanos e democratas. Os republicanos queriam acabar com esse ajuste anual de altos servidores como condição para concordar com um reajuste de 1,9% para funcionários públicos em geral. Mas essas negociações ficaram presas em uma comissão do Congresso antes da paralisação do governo./ THE WASHINGTON POST 

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