Alto militar é convocado para julgamento de Mubarak

O juiz responsável pelo julgamento do ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak, convocou os principais integrantes do governo militar para testemunhar em sessões fechadas, medida ansiosamente esperada pelos egípcios, que esperam que os generais exponham o papel de deposto líder no combate aos protestos contra seu governo.

AE, Agência Estado

08 Setembro 2011 | 11h22

Testemunhar neste julgamento poderá dar ao Marechal de Campo Mohammed Tantawi, que atualmente governa o país, uma chance de melhorar sua imagem, tendo em vista as crescentes críticas de que os militares continuam muito próximos ao regime de Mubarak. Também deve dar mais seriedade ao julgamento que muitos veem como estagnado em meio a confusões e acusações de falso juramento.

Mas Tantawi e vários outros membros da alta liderança do país que também foram convocados para testemunhar eram membros do círculo interno de Mubarak. Por isso, acredita-se que eles possam dizer se Mubarak ordenou que a polícia usasse força letal contra os manifestante nos 18 dias de levante que levaram à queda do ex-presidente em fevereiro.

Mubarak, de 82 anos, é julgado por cumplicidade nas mortes dos manifestantes, o que em caso de condenação pode levá-lo à pena de morte.

Mas as sessões, que devem começar no domingo, serão fechadas aos meios de comunicação e ao público. O juiz proibiu a mídia egípcia até mesmo de relatar informações vazadas dos testemunhos. Ao anunciar a decisão na sessão de quarta-feira do julgamento, o juiz Ahmed Rifaat disse que a ordem foi para "proteger a segurança nacional e os mais altos interesses do país".

Isso vai frustrar as expectativas do público sobre a ampla divulgação de como a liderança militar tratou o levante durante um importante momento da história do Egito, além de impedir a divulgação de detalhes sobre até que ponto os militares - que se descrevem como "parceiros da revolução" - desafiaram Mubarak durante o levante.

Dentre os convocados para testemunhar no tribunal estão do chefe de gabinete Sami Anan, o segundo em importância no conselho militar, e Omar Suleiman, que foi nomeado vice-presidente por Mubarak durante o levante e foi seu poderoso chefe de inteligência e aliado próximo por quase duas décadas. Ele é visto como alguém que conhece muitos dos segredos do regime. As informações são da Associated Press.

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