EFE/EPA/HARISH TYAGI
EFE/EPA/HARISH TYAGI

Alto nível de poluição faz Nova Délhi fechar escolas e restringir atividades econômicas

Quantidade de partículas prejudiciais no ar ultrapassou em 30 vezes o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2021 | 15h55

Para conter os níveis de poluição na capital da Índia, o governo de Nova Délhi decretou o fechamento das escolas, recomendou trabalho remoto aos moradores e proibiu o acesso de cargas não essenciais à cidade até segunda ordem. A região, considerada uma das mais poluídas do mundo, é afetada a cada inverno (hemisfério norte) por uma densa camada de névoa tóxica.

O tribunal superior da Índia delibera sobre o bloqueio - o primeiro do tipo no país para conter a poluição, e não para controlar as infecções por coronavírus. Não está claro até onde a medida se estenderá, mas o governo local já demonstrou disposição para impor restrições emergenciais semelhantes às adotadas durante a pandemia. 

No início deste mês, os níveis de qualidade do ar caíram para a categoria "severa" na capital e os residentes enfrentaram surtos de poluição por vários dias. Isso gerou um alerta da Suprema Corte na semana passada, que ordenou que os governos estaduais e federais tomassem medidas "iminentes e emergenciais" para enfrentar o que chamou de crise.

Alguns especialistas dizem que um bloqueio teria muito pouco efeito no controle da poluição e, por outro lado, causaria interrupções na economia e impactaria os meios de subsistência de milhões de pessoas. “Esta não é a solução que procuramos, porque é extremamente perturbadora. E também temos que ter em mente que a economia já está sob pressão, os pobres estão em risco", declarou Anumita Roychowdhury, diretora-executiva do Centro de Ciência e Meio Ambiente, uma organização de pesquisa em Nova Délhi.

Esta semana, o nível de poluição por partículas PM2.5, as mais prejudiciais e responsáveis por doenças crônicas nos pulmões e coração, superou a concentração de 400 microgramas por metro cúbico em diversas partes da cidade. Na semana passada, o nível chegou a 500, o que representa 30 vezes mais que o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Um estudo publicado no periódico científico The Lancet no ano passado afirma que pelo menos 17.500 pessoas morreram em Nova Délhi devido à poluição do ar em 2019. Já um relatório publicado pela organização suíça IQAir informa que 22 das 30 cidades mais contaminadas do mundo ficam na Índia, sendo que Nova Délhi é a capital mais poluída do planeta.

As restrições começaram no sábado, quando autoridades de Nova Délhi anunciaram o fechamento das escolas durante uma semana e paralisaram as obras do setor de construção durante quatro dias. Entretanto, a Comissão de Gestão da Qualidade do Ar expediu um decreto na terça-feira determinando que o fechamento das escolas prosseguirá até segunda ordem.

O órgão também proibiu a entrada de caminhões não essenciais na cidade até 21 de novembro, a interrupção das operações de seis das 11 usinas térmicas em um raio de 300 quilômetros e impôs trabalho remoto para 50% dos funcionários públicos, com recomendação para que as empresas privadas façam o mesmo.

Moradores dizem que o governo não está fazendo o suficiente. Suresh Chand Jain, um dono de loja em Nova Délhi, diz que as autoridades deveriam introduzir regulamentos mais rígidos com o objetivo de limitar o uso de automóveis e controlar a queima de resíduos agrícolas nos estados vizinhos, cujas emissões contribuem enormemente para a má qualidade do ar na capital. 

"Fechar a cidade não vai acabar com a poluição", afirmou. Especialistas concordam que tais medidas de emergência não são úteis no longo prazo. “Isso é feito apenas para garantir que a situação não piore, mas não é uma bala de prata que vai limpar o ar imediatamente”, diz Roychowdhury.

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