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(Photo by various sources / AFP)
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Altos e baixos marcam as duas décadas de relações de Putin com os presidentes americanos

Presidente russo se reúne na quarta-feira pela primeira vez, com Joe Biden; líderes vivem momento de “impasse”

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2021 | 10h00

O presidente russo, Vladimir Putin, vai se encontrar nesta quarta-feira, 15, em Genebra, pela primeira vez com Joe Biden, o quinto presidente dos Estados Unidos com quem se reúne desde que chegou ao poder, em 1999.

Mais cedo, um conselheiro do presidente russo afirmou que as relações entre os dois países estão em "impasse" e que a reunião entre os chefes de Estado na Suíça pode ajudar a superar esta situação.

"As relações Rússia-Estados Unidos estão atualmente em um impasse, a situação é quase crítica. Temos que fazer algo", disse Yuri Ushakov em um encontro com a imprensa.

A previsão é de que os líderes usem a reunião para abordar uma série de divergências entre os dois países, rivais geopolíticos, que vão das acusações de ataques cibernéticos a questões de direitos humanos, passando por tensões militares.

"Vejo esta reunião com um otimismo prático, mas frágil. É um primeiro encontro em condições difíceis", disse Ushakov, conselheiro de Relações Exteriores do presidente russo.

O diálogo entre os dois abordará questões delicadas como a situação na Ucrânia e Belarus ou o destino do opositor russo detido Alexei Navalny.

As relações de Putin com os seus antecessores de Biden também foi marcada por altos e baixos:

  • Bill Clinton: o peso do Kosovo

Os contatos de Bill Clinton com o ex-presidente russo Boris Ieltsin foram quentes até ao início da guerra do Kosovo, em 1998, pondo fim à lua-de-mel pós Guerra Fria.

A demissão de Ieltsin em 31 de dezembro de 1999, substituída por Putin, que não gostava em Washington, complicou ainda mais as relações.

Ele é "um homem duro (...), muito determinado, muito orientado à ação", disse a chefe diplomática norte-americana Madeleine Albright sobre Putin. "Teremos de vigiar as suas ações com muito cuidado", acrescentou à época.

Contudo, na primeira reunião de Clinton e Putin, em junho de 2000, o presidente dos EUA elogiou publicamente o russo como capaz de construir uma "Rússia próspera e forte, protegendo simultaneamente as liberdades e o Estado de direito".

  • George W. Bush: camaradagem e desconfiança

No final da sua primeira reunião, a 16 de junho de 2001, George W. Bush disse ter olhado o presidente russo nos olhos.

"Pude perceber sua alma: a de um homem profundamente dedicado ao seu país (...). Considero-o um líder notável", disse Bush.

Após os ataques de 11 de setembro de 2001, Putin, que em 1999 tinha lançado a guerra na Chechénia, ofereceu imediatamente ao presidente Bush a sua solidariedade na "guerra contra o terrorismo".

Contudo, em dezembro de 2001, os Estados Unidos retiraram-se do Tratado de Mísseis Antibalísticos ABM a fim de criar um escudo antimíssil na Europa de Leste.

Em 2003, Moscou condenou a invasão americana do Iraque e um ano depois denunciou a influência de Washington sobre a "revolução laranja" na Ucrânia.

  • Barack Obama: um "relançamento" que falha

Em 2009, o presidente Barack Obama propôs "relançar" as relações com a Rússia, premindo o botão "reset". Em 2008, impedido de ser reeleito pela Constituição, Putin serviu como primeiro-ministro de Dmitry Medvedev, seu protegido.

Antes de visitar a Rússia em julho de 2009, Obama declarou que Putin tinha "um pé na velha maneira de fazer as coisas e um pé na nova maneira de fazer as coisas".

"O que me interessa é lidar diretamente com o meu homólogo, o presidente", disse Obama em Moscou.

Apesar dos sucessos iniciais, nomeadamente a assinatura em 2010 de um novo tratado de desarmamento nuclear, a tentativa de relançamento das relações fracassou.

Em agosto de 2013, a Rússia concedeu asilo político ao americano Edward Snowden, que revelou a espionagem maciça dos EUA em todo o mundo.

Alguns dias mais tarde, Obama cancelou uma reunião com Putin, lamentando um regresso a "uma mentalidade da Guerra Fria".

A crise ucraniana de 2014 e a anexação da Crimeia pela Rússia, as sanções econômicas dos EUA contra Moscou e a intervenção da Rússia na Síria em 2015 degradaram ainda mais a relação bilateral

  • Donald Trump: o espectro do "caso russo"

Durante a campanha, Donald Trump disse que queria instituir boas relações com a Rússia.

Mas a posse de Trump foi marcada desde o início por alegações de interferência russa nas eleições.

Em julho de 2018, numa conferência de imprensa conjunta com Vladimir Putin, Trump pareceu dar mais credibilidade às negações do seu homólogo russo do que às conclusões do FBI.

"O presidente Putin que acabou de dizer que não foi a Rússia (...). E não vejo porque seria", disse Trump.

Perante as críticas, inclusive no Partido Republicano, Trump disse que tinha falado mal.

"Eu gosto de Putin, ele gosta de mim. Damo-nos bem", disse ele novamente em setembro de 2020 durante um discurso sobre a sua campanha de reeleição. / AFP

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