Alu Alkhanov vence eleição presidencial na Chechênia

Alu Alkhanov, candidato apoiado pelo Kremlin, venceu as eleições presidenciais da Chechênia neste domingo, informou o presidente checheno interino, Sergei Abramov ressaltando que, com exceção de uma fracassada tentativa de atentado a bomba, o pleito transcorreu sem incidentes graves. "De acordo com resultados parciais, Alkhanov já ultrapassou a barreira dos 50% dos votos, necessários para assumir a presidência", disse Abramov, destacando a alta participação do eleitorado checheno. Dos quase 600 mil eleitores chechenos aptos a votar, compareceram 468.425 - ou seja, 79,3% -, informou a comissão eleitoral chechena no encerramento da votação às 20h00 (13h00 de Brasília). Esse comparecimento excepcional é apontado como dado concreto que legítima as eleições presidenciais, condenadas pelos rebeldes separatistas. Um excepcional esquema de segurança - reforçado em razão da queda de dois aviões comerciais russos no início da semana passada em atentados atribuídos a rebeldes suicidas checheno - garantiu a ordem em todo aquele convulsionado território russo. Alkhanov, um policial que ocupa o cargo de ministro do Interior checheno, votou na cidade de Tsentoroi (sudeste da república), feudo do ex-presidente assassinado Akhmad Kadyrov. Como seu sucessor, Kadyrov era homem de confiança do presidente russo, Vladimir Putin. Ele morreu há seis meses, num atentado a bomba assumido pelos separatistas.Alkhanov é originário da localidade de Urus-Martan (sudoeste), mas recebeu autorização especial para votar em Tsentoroi por motivo de segurança. Ele também está ameaçado de morte pelos rebeldes. Jornalistas destacados para fazer a cobertura da eleição denunciaram irregularidades em vários colégios eleitorais. Um morador de Grozny confessou para os repórteres ter votado em quatro postos eleitorais diferentes. Mas Sayed Mohammed al-Barami, observador da Liga Árabe, assegurou não observado violação do processo eleitoral. Um porta-voz dos rebeldes, Akhmed Zakaiev, condenou as eleições, comparando a situação dos chechenos à dos judeus no gueto de Varsóvia ou dos dissidentes da era soviética no Gulag stalinista. O único incidente grave ocorreu no posto eleitoral de Znamenskoio - bairro pró-russo da zona norte da capital chechena -, quando a polícia tentou interpelar um homem. Ao ver-se cercado, detonou uma bomba que trazia atada na cintura, matando-se. Ninguém ficou ferido. "Era um terrorista separatista", disse o presidente da comissão eleitoral, Abdul Kerim Arsajanov. Cerca de 60 mil soldados russos e 27 mil policiais chechenos patrulharam as ruas das principais cidades da república.

Agencia Estado,

29 de agosto de 2004 | 18h01

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