Alunos 'afeminados' da Malásia serão enviados a acampamento, diz jornal

Jovens foram indicados por suas escolas; país proíbe relações entre pessoas do mesmo sexo.

BBC Brasil, BBC

19 de abril de 2011 | 08h48

KUALA LUMPUR - O jornal da Malásia "New Straits Times" afirmou nesta terça-feira, 19, que um grupo de 66 adolescentes malaios com "tendências afeminadas" será enviado a um acampamento com o objetivo de "passar por uma reeducação". O jornal credita a informação a autoridades da Malásia, país que não tolera a homossexualidade.

 

Segundo o Departamento de Educação do Estado de Terengganu, o acampamento começou a funcionar no último domingo. Os jovens enviados ao local foram indicados por suas escolas, que foram instruídas no ano passado a "denunciar alunos que pudessem ser gays".

A Malásia considera ilegais as relações entre pessoas do mesmo sexo. Homossexuais malaios denunciam medidas do governo que consideram discriminatórias, como, por exemplo, a pena de 20 anos de prisão por sodomia.

De acordo com o "New Straits Times", os estudantes terão aulas de educação física e religião, conduzidas por "palestrantes motivacionais". O diretor do departamento, Razali Daud, disse ao jornal que, embora os "sintomas" variem, o comportamento dos 66 jovens - todos estudantes do ensino médio - "não são comuns para rapazes normais desta idade".

"Nós não estamos interferindo com o processo da natureza, e sim meramente tentando guiar estes estudantes a seguir um caminho adequado em suas vidas", afirmou Daud. "Nós sabemos que algumas pessoas acabam se tornando mak nyah (travestis) ou homossexuais, mas nós faremos o melhor para limitar este número", disse.

A entidade malaia Grupo Unido de Ação para a Igualdade de Gêneros (JAG, sigla em inglês) afirmou, em comunicado publicado pelo site de notícias The Malaysian Insider, que a medida vai contra os direitos humanos, além de promover a homofobia e o preconceito.

 

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