Fernando Vergara/AP
Fernando Vergara/AP

Álvaro Uribe rejeita proposta de paz com guerrilhas colombianas

Proposta foi feita pelo chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, que quer internacionalizar o conflito

Efe,

27 de julho de 2010 | 17h26

BOGOTÁ- O presidente colombiano, Álvaro Uribe, rejeitou nesta terça-feira, 27, a possibilidade de uma proposta de paz com as guerrilhas que atuam em seu país, como foi sugerido pelo chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, e ressaltou que não se pode "afrouxar" a luta contra o terrorismo.

 

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"Sabemos que a cobra do terrorismo, quando sente que está encurralada e com uma corda no pescoço, pede processos de paz, para que afrouxemos a forca e ela possa tomar oxigênio e voltar a envenenar", disse Uribe, durante uma visita ao Ministério da Defesa.

 

Depois, o presidente denunciou que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) querem "internacionalizar o pedido de oxigênio", e ressaltou que seu governo não vai a cair nessa "armadilha".

 

"Alguns querem fazer a Colômbia errar de novo e afrouxar a corda no pescoço da cobra", disse Uribe.

 

O líder fez as declarações em referência às recentes afirmações de Maduro, que disse que levará um plano de paz para a região à reunião de chanceleres da União de Nações Sul-americanas (Unasul), convocada para esta quinta-feira, em Quito, com o objetivo de analisar a crise entre Colômbia e Venezuela.

 

Maduro pediu hoje em Buenos Aires apoio dos vizinhos sul-americanos para um plano de paz para a região e insistiu que Caracas considera necessária uma "retificação" do próximo governo colombiano, que a partir do próximo dia 7 será presidido por Juan Manuel Santos.

 

Maduro chegou hoje à capital argentina depois de passar por Montevidéu para se reunir com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e com o secretário-geral da União de Nações Sul-americanas (Unasul), Néstor Kirchner.

 

O chanceler venezuelano está fazendo uma viagem pela América do Sul para expor os argumentos de seu governo na crise diplomática com a Colômbia, depois que as relações entre os dois países foram rompidas pelo presidente Hugo Chávez na última quinta-feira, após o embaixador colombiano denunciar na Organização dos Estados Americanos (OEA) a presença de guerrilheiros em território venezuelano.

 

Em paralelo, o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, faz uma viagem anteriormente planejada pela América Latina. Santos, que não quis se pronunciar sobre o conflito antes de assumir a presidência, se reunir ontem à noite também com Kirchner e Cristina em Buenos Aires.

 

Em uma breve entrevista coletiva na residência oficial argentina, Maduro disse acreditar que é "necessária uma retificação a fundo por parte do próximo Governo da Colômbia em sua relação com a Venezuela".

 

"Houve e há vontade política para construir um novo modelo de relação baseado no respeito absoluto, na sociedade venezuelana", acrescentou.

 

"Vamos esperar a chegada do novo governo (de Juan Manuel Santos) e a evolução dos eventos para poder avançar nesse sentido", declarou.

 

"A solução é ir à paz na Colômbia e construir a paz, e a solução deve ser construída com a América do Sul", ressaltou Maduro na presença de seu colega argentino, Héctor Timerman, que expressou a vontade da Argentina de colaborar na busca de uma saída pacífica para o conflito.

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