Alvo de manifestantes seriam Arroyo e Estrada

Os organizadores de um assalto ao palácio presidencial haviam planejado matar a presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo, e seu predecessor encarcerado, Joseph Estrada, disse nesta quinta-feira o secretário de Justiça, Hernando Pérez. Depois de advertir que o pior está por vir, Pérez disse a jornalistas que os possíveis assassinatos teriam permitido a seus executores controlar o país e estabelecer sua própria junta de poder. "Ainda corremos perigo", disse Pérez nesta quinta a um tribunal que julga dois políticos acusados de participar do motim de terça-feira. "Não sabemos se a calma que prevalece neste momento é o olho da tormenta. Temos informes do serviço de inteligência afirmando que nem tudo está bem." Quando lhe perguntaram se o senador Juan Ponce Enrile, um dos 11 dirigentes da oposição cuja prisão fora decretada depois que o governo dispersou grupos de manifestantes, estaria interessado em tomar o poder, Pérez respondeu: "Parece que esta era a idéia". Enrile, o primeiro a se render à polícia, foi acusado oficialmente nesta quinta de rebelião, o que acarreta uma possível sentença de prisão perpétua.Ele compareceu ao tribunal junto com o porta-voz de Estrada, Ernesto Maceda, que também é acusado de participar da tentativa de golpe. "Aos 66 anos, com uma doença cardíaca e diabetes, não tenho motivos para me jogar em nenhuma aventura política", defendeu-se Maceda. Pérez disse que Estrada, encarcerado há uma semana sob a acusação de corrupção, foi transferido por ar, por motivos de segurança, durante os incidentes de terça-feira, do hospital onde realizava exames para um remoto centro de detenção. Na terça-feira, milhares de partidários de Estrada marcharam até o palácio para exigir a liberdade de Estrada e sua reposição no governo. Houve choques com a polícia quando os manifestantes tentaram derrubar os portões do palácio.Seis pessoas morreram e outras 100 ficaram feridas. Arroyo respondeu declarando "estado de rebelião" e ordenando a prisão de dirigentes da oposição. Nesta quinta-feira, Arroyo fez uma breve visita a Estrada em uma prisão ao sul de Manila. Foi a primeira vez que os dois se encontraram cara a cara desde 26 de setembro do ano passado, antes que Arroyo renunciasse ao gabinete de Estrada para encabeçar a oposição.Eles se trataram mutualmente de "presidente" e falaram por cerca de 20 minutos. O porta-voz presidencial, Rigoberto Tiglao, disse que Estrada solicitou cortinas para o centro de detenção e que Arroyo concordou em providenciá-las. Rigoberto garantiu que entre os dois não houve "nenhuma negociação" sobre a instabilidade política.

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