REUTERS/Social Media
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Alvo ficou ‘completamente destruído’, diz coordenador local do MSF

O coordenador regional sênior de comunicação da Médicos Sem Fronteiras para a crise na Síria, Sam Taylor, disse ao 'Estado' que os membros da organização ficaram "extremamente tristes" com o ataque contra mais um hospital mantido pelo grupo

Jéssica Otoboni, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2016 | 18h48

O coordenador regional sênior de comunicação da Médicos Sem Fronteiras (MSF) para a crise na Síria, Sam Taylor, disse ao Estado que os membros da organização ficaram “extremamente tristes” com o ataque contra mais um hospital mantido pelo grupo e destacou que o edifício em Marat Al-Nouman, na Província de Idlib, no norte da Síria ficou “completamente destruído”. O local teria sido atingido por quatro mísseis em dois ataques lançados com poucos minutos de intervalo entre si. 

Questionado sobre a possibilidade de adotar medidas de segurança em estruturas médicas coordenadas ou apoiadas pela organização, Taylor afirmou que, como apenas (a organização) apoia os hospitais e não os gerencia, “é difícil fornecer qualquer tipo de proteção”. 

“Ataques a hospitais não ocorrem apenas na Síria, mas também no Iêmen e no Afeganistão”, destacou. “Tentamos prevenir, mas é um trabalho extremamente árduo.”

Ele afirmou ainda que não sabe dizer se será possível reconstruir o local, já que o bombardeio destruiu praticamente toda a estrutura. Entre as vítimas, havia pacientes e guardas do hospital. “Esse foi um ataque deliberado contra um estabelecimento de saúde”, disse Massimiliano Rebaudengo, chefe da missão local da entidade. 

O hospital tinha 30 leitos e uma equipe com 54 profissionais, 2 centros cirúrgicos, 1 departamento ambulatorial, que tratava de aproximadamente 1.500 pessoas por mês, e uma sala de emergência. “A destruição do hospital deixa a população local de cerca de 40 mil pessoas sem aceso a serviços médicos em meio a uma zona de conflito ativa”, destaca Rebaudengo.

A Médicos Sem Fronteiras apoiava o hospital desde setembro de 2015 e arcava com todos os gastos referentes a suprimentos médicos e financiamento de despesas operacionais. Em dezembro, a ONG ajudou na reconstrução da instalação, que precisou mudar de lugar após sofrer três ataques.

EUA. O Departamento de Estado dos EUA condenou os ataques ao hospital. O porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, transmitiu a condenação dos EUA aos bombardeios efetuados contra “alvos civis inocentes”. Os ataques, realizados supostamente por agentes governamentais, “levantam dúvidas sobre a vontade ou habilidade da Síria conter a brutalidade do regime de Bashar Assad contra sua própria gente”, declarou o porta-voz da diplomacia americana. 

A MSF mantém quatro projetos de ajuda humanitária dentro da Síria e outros 12 em países vizinhos para receber e atender aos refugiados e feridos levados para além das fronteiras. A organização reduziu sua participação no território sírio, particularmente nas áreas dominadas pelo Estado Islâmico, após médicos terem sido sequestrados em 2014. Os reféns já foram libertados. / COM REUTERS E EFE

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