REUTERS/Erin Scott
REUTERS/Erin Scott

Alvos de Trump, deputadas democratas defendem união do país e impeachment do presidente 

No domingo, o presidente dos EUA disse que elas deveriam 'voltar para seus países' – ainda que todas sejam cidadãs americanas

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2019 | 21h08

WASHINGTON - As quatro deputadas democratas representantes de minorias alvos de ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, nos últimos dois dias responderam nesta segunda-feira, 15, aos comentarios considerados racistas do republicano. Em entrevista coletiva conjunta, disseram que os ataques não dividiriam os democratas e serviam apenas como distração para a “falta de políticas” de Trump. Elas também defenderam o impeachment do presidente. 

“Esse presidente não sabe defender seus argumentos, então eles nos ataca. Tudo tem a ver com isso”, argumentou Alexandria Ocasio-Cortez, uma das quatro congressistas, ao lado de Ayanna Pressley, Rashida Tlaib e Ilhan Omar.

“A agenda de Trump é a mesma dos supremacistas brancos. O que antes acontecia apenas nos grupos de bate-papo ou na TV, agora chegou aos jardins da Casa Branca”, disse Omar. 

"Não vão nos calar", afirmou Pressley, que acusou Trump de carecer da "graça, empatia, compaixão e integridade que requer o gabinete presidencial".  "No entanto, incentivo os americanos (...) a não morder o anzol", acrescentou, vendo nos ataques de bilionário republicano "uma distração" para desviar a atenção "dos problemas que afetam os cidadãos americanos".

No domingo, Trump disse que elas deveriam “voltar para seus países” – ainda que todas sejam cidadãs americanas. Hoje, o presidente negou que estivesse sendo racista e afirmou que vários grupos concordavam com ele. Trump continuou tuitando durante o pronunciamento das deputadas. 

“Os democratas estão tentando se distanciar das quatro ‘progressistas’, mas agora foram forçados a apoiá-las. Isso quer dizer que eles estão apoiando o socialismo, o ódio a Israel e aos EUA”, escreveu o presidente. 

Novos ataques

Trump já havia rejeitado as críticas mais cedo e afirmado que racistas eram as quatro deputadas – não ele. “Se elas não estão felizes nos EUA, podem ir embora”. Segundo o presidente, as congressistas “amam os inimigos dos EUA”. No domingo, ele havia afirmado que as deputadas – uma negra e as outras de origem latina, palestina e somali – vêm de países “cujos governos são uma catástrofe completa e total”, que deveriam voltar para lá.

A presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, pediu apoio a uma resolução que condene as declarações do presidente

Em editorial publicado hoje, o Washington Post afirma que Trump atingiu o momento mais baixo de sua presidência ao criticar as deputadas do partido adversário. “A impressão do presidente de que elas (democratas) pareçam derivar de uma combinação de cor de pele e nomes que soam estranhos (para ele) reflete seu racismo superficial, ignorante e tóxico.” 

Um voto de repreensão a Trump no Congresso, como foi proposto por Pelosi, poderia unificar a bancada democrata que tem se divido nos últimos dias entre os mais progressistas e os mais moderados. Uma condenação na Câmara também colocaria os republicanos em uma situação difícil, já que a maioria tem se mantido em silêncio sobre os ataques de fúria de Trump, temendo criticar um presidente popular entre os republicanos – segundo pesquisas, ele tem cerca de 90% de apoio entre os que se declararam eleitores do partido. 

Reação

Nos últimos dias, poucos republicanos reagiram. A maioria repreendeu sutilmente o presidente. A senadora republicana Susan Collins, por exemplo, disse que o presidente foi “muito além do limite”.

 

Meghan McCain, filha de John McCain, histórico senador republicano que morreu no ano passado, se disse “humilhada” pelo silêncio dos republicanos. “É assustador que não haja um membro sequer do Congresso que reaja a este tipo de comentário”, disse. 

Alguns líderes do partido, porém, não apenas defenderam o presidente como atacaram as quatro deputadas. “Todos nós sabemos que AOC (Alexandria Ocasio-Cortez) e sua turma são um bando de comunistas. Eles odeiam Israel, odeiam nosso país”, afirmou o senador Lindsey Graham – que na campanha presidencial de 2016 chamou Trump de “xenófobo”.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o comentarista político e ex-assessor republicano Kurt Bardella afirmou que, na verdade, existe uma concordância dentro do partido com o que diz o presidente. "Os republicanos concordam com os tuítes racistas do presidente", disse ele, ao Guardian. "A essa altura, é a única explicação. É um comportamento padrão toda vez que o presidente se envolve em uma retórica abertamente racista." / W. POST, AFP, NYT 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.