Alvos prioritários já foram identificados

Os olhos eletrônicos dos satélites e aviões de espionagem, combinado com o trabalho furtivo das forças de operações especiais que agem secretamente no interior do Afeganistão desde o dia 14 de setembro, já identificaram e localizaram todos os alvos prioritários de um eventual ataque aéreo dos Estados Unidos. Tecnicamente, a organização para o início dos bombardeios aéreos está concluída e depende apenas da ordem direta do presidente dos EUA, George W. Bush. Os objetivos são 12 campos de treinamento de guerrilheiros do Al-Qaeda, de Osama bin Laden, seis bases aeroterrestres e pelo menos quatro centros de concentração das tropas livres do regime Taleban. A lista inclui estações de telecomunicações, depósitos de combustíveis e centrais energéticas. De acordo com fonte do Departamento de Defesa ouvida pela Agência Estado, entre as instalações terroristas mapeadas está a Área 055, onde são doutrinados e preparados os homens-bomba. O presidente Bush tomou conhecimento desse cenário nesta segunda-feira pela manhã, durante reunião com o novo Chefe do Estado Maior Conjunto, general Richard Myers, da qual participaram também os secretários de Estado, Colin Powell, da Defesa, Donald H. Rumsfeld, e a conselheira de segurança nacional, Condoleezza Rice. Pela primeira vez desde o início da crise desencadeada pelos ataques contra Nova York e Washington, o encontro foi realizado na sala de situação da Casa Branca, um compartimento blindado e subterrâneo de onde o presidente comanda as forças norte-americanas. Os campos de formação avançada dos terroristas de Bin Laden estão situados principalmente na planície de Bhamian, no desfiladeiro de Kiber, no vale de I´Ialabad e - o maior deles, protegido pela base taleban de Shinbad - na montanha de Herzrat. Nas proximidades da capital, Cabul, fica a Área 055, reservada à instrução dos agentes suicidas do Al-Qaeda. Na encosta de Kost, em meio à cordilheira que atravessa o Afeganistão, estão o núcleo Gilgit de instrução armada e a Aldeia de Alá, bombardeada pelos EUA com mísseis de cruzeiro Tomahawak em 1998. Recuperada, a instalação atualmente abriga a milícia de jovens guerreiros "jihaedines" integrada por paquistaneses, iemenitas kosovares, chechenos, iranianos e iraquianos. As poucas unidades regulares de defesa preservadas pelo Taleban estão em Fara, Mazar el-Sharif, Gardez, Bagram e em meio à área urbana de Cabul. Os alvos militares visados pela força expedicionária dos Estados Unidos, com seus 270 jatos de combate embarcados em três superporta-aviões de 90 mil toneladas, mais 30 mil soldados de elite em deslocamento por terra e mar, além de uma enorme mobilização de retaguarda, são pouco expressivos. Desde 1992 o inventário das forças armadas afegãs não é confiável. Especialistas ingleses acreditam que haja 45 mil combatentes experimentados e uma horda de 90 mil jihaedines voluntários reunidos sob as ordens do Taleban. A aviação dispõe de 13 caças supersônicos Mig-21, de ataque ao solo, e de 6 a 12 interceptadores Sukhoi-17. Menos da metade pode realizar missões noturnas. Não mais de 120 velhos tanques soviéticos T-54/55 com canhão de 105 milímetros podem ser considerados em condição de emprego. As unidades de assalto teriam ainda 30 bem mantidos carros pesados das séries T-62/72, mais modernas, com canhões de 115 e 125 milímetros. Os blindados são operados em grupos de três. A artilharia antiaérea é formada por um número desconhecido de canhões quádruplos ZSU-23mm autopropelidos, capturados do exército soviético durante a guerra de 79 a 89 e reformados em 1998/99 na Coréia do Norte. O apoio de ponto é provido por metralhadoras pesadas DshK-12.7mm. O Taleban utiliza mísseis terra-ar de porte pessoal AS-3 e Stinger. Tem talvez 40 helicópteros de uso misto, transporte/ataque. As forças afegãs teriam recebido do Irã 60 mísseis terra-terra Scud/C montados em rampas móveis de lançamento e dotados de novos sistemas de guiagem. Essa versão do Scud pode ser armada com ogivas químicas.

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