Amante de chefe da CIA revelou dados supostamente sigilosos em palestra

Segredo quebrado. Paula Broadwell, pivô do caso de infidelidade que causou a renúncia do general David Petraeus, disse em conversa com estudantes de Denver que missão dos EUA atacada em Benghazi, em setembro, abrigava centro de detenção da agência

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2012 | 02h07

Paula Broadwell, amante de David Petraeus - o homem que pediu demissão do cargo de diretor da CIA depois de o romance entre os dois ter sido tornado público na semana passada -, pode ter divulgado informações secretas em palestra na Universidade de Denver, em outubro, ao comentar o ataque ao Consulado dos EUA em Benghazi, na Líbia.

O vídeo de sua palestra ganhou importância ontem depois de deputados e senadores afirmarem que pretendem abrir um inquérito para apurar a investigação do FBI sobre Petraeus. O relato dela altera totalmente a narrativa oficial sobre o que ocorreu em 11 de setembro deste ano, quando o embaixador americano na Líbia e outros quatro cidadãos dos EUA morreram.

Ao ser indagada por um estudante sobre o ataque em Benghazi, Paula, autora da biografia de Petraeus, disse que o "anexo da CIA na verdade tinha membros de uma milícia líbia presos e eles acreditam que o ataque tenha sido para resgatá-los". "O problema para Petraeus é que, em sua nova posição, ele não pode se comunicar com a imprensa. Portanto, ele sabe de tudo isso. Eles mantiveram correspondência com o chefe da estação da CIA na Líbia. Em 24 horas, sabiam o que estava ocorrendo", disse.

A CIA nega a informação. Inicialmente, o governo americano indicou que a morte teria sido resultado das manifestações contra um vídeo islamofóbico no YouTube. Posteriormente, a versão de que o ataque teria sido provocado por um atentado terrorista organizado ganhou força. O episódio foi um dos mais discutidos da campanha eleitoral americana.

Na palestra, Broadwell não indicou como teve acesso às informações. A investigação do FBI concluiu que Petraeus não passou para a amante nenhuma informação classificada.

Desde julho, o FBI e o Departamento de Justiça dos EUA tinham conhecimento do escândalo que envolvia Petraeus, mas apenas teriam informado a Casa Branca há uma semana, no dia da eleição presidencial. De acordo com deputados e senadores, o presidente Barack Obama e o Congresso deveriam ter sido avisados bem antes disso sobre uma investigação do número 1 da CIA.

"Isso é algo que poderia afetar a segurança nacional. Deveríamos ter sido avisados", disse a senadora democrata Diane Feinstein, presidente da Comissão de Inteligência do Senado, acrescentando que um inquérito será aberto para apurar o episódio. "Precisamos analisar o que aconteceu nesse período", disse o deputado republicano Peter Kink.

O FBI começou a investigação ao receber um pedido de Jill Kelley (mais informações nesta página), que disse estar sendo alvo de e-mails ameaçadores. A agência americana, depois de verificar a origem das mensagens, descobriu que elas vinham da conta de Paula Broadwell.

Ontem, o Washington Post publicou uma reportagem segundo a qual Petraeus pediu a Paula que parasse de enviar as mensagens ameaçadoras.

No processo, o FBI teve acesso a uma troca de e-mails de conotação sexual entre Paula e Petraeus. Os dois teriam uma relação desde o ano passado, quando ele assumiu a CIA, segundo fontes ligadas a Petraeus, mas o romance se encerrou quatro meses atrás.

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