Amante teria assumido lugar de líder norte-coreano, diz jornal

Coréia do Norte mantém silêncio sobre saúde de Kim Jong-il, que não participou de dois eventos oficiais

Agências internacionais,

16 de setembro de 2008 | 09h02

Kim Ok, antiga secretária e amante do líder norte-coreano, Kim Jong-il, estaria tomando muitas das decisões políticas do país desde que o assim chamado "Querido Líder" supostamente se afastou do poder por causa de um derrame. A aposta é de várias fontes consultadas pelo jornal sul-coreano JoongAng Daily.   Os rumores sobre a saúde de Kim Yong-il, de 66 anos, aumentaram na segunda, quando o líder não fez sua tradicional aparição pública no feriado de Chuseok. O ditador já havia faltado ao desfile militar do 60º aniversário da fundação do país, no dia 9. Segundo autoridades sul-coreanas, o líder teve de se submeter a uma cirurgia cerebral após o derrame. "Acreditamos que Kim voltou recentemente a escovar os dentes, mas ainda tem dificuldades para andar", afirmou uma autoridade de Seul. Pyongyang afirma que as especulações sobre a saúde de Kim não "têm valor".   Como o líder norte-coreano ainda não escolheu um herdeiro político entre seus quatro filhos legítimos, fontes políticas e de inteligência acreditam que Kim Ok, de 44 anos, esteja ampliando seu poder na ausência do líder. "Acompanhamos de perto a mulher que tem a chave do quarto de Kim", disse uma fonte sul-coreana.   Graduada em piano na Escola de Música de Pyongyang, Kim Ok ganhou força política depois da morte da terceira mulher do ditador, em 2004. Ko Yong-hui, última das esposas oficiais, nomeou a amante do marido para cuidar de seus filhos. Essa decisão pode ter ajudado a catapultar ao poder a sucessora não-oficial.   Como se fosse sua esposa, Kim Ok mora na residência do líder norte-coreano. "Além do médico chinês que atende Kim Jong-il, ela é quem tem a informação mais precisa sobre sua condição médica", afirmou uma fonte da inteligência sul-coreana. Em 2000, a secretária já tinha chamado a atenção do mundo. Ela foi a única mulher na comitiva de representantes do Exército norte-coreano a visitar o então presidente dos EUA, Bill Clinton.   Kim lidera um dos regimes mais isolados e imprevisíveis do mundo - e causa preocupação no Ocidente, pois o país possui tecnologia para desenvolver armas nucleares. Depoimentos retratam Kim como um ditador extravagante. No fim da década de 90, quando cerca de 2 milhões de norte-coreanos morreram por causa de uma crise de alimentos provocada por desastres naturais e um descontrole econômico, Kim Jong-il enviou seu cozinheiro pessoal a Tóquio para comprar sushi fresco, a Teerã para comprar caviar, a Copenhague para comprar bacon e a Paris para comprar queijos finos, vinhos e conhaques. Segundo o cozinheiro, Kim tem uma coleção de 10 mil garrafas de bebidas importadas.   Em um país pobre, onde o bem mais precioso para a maioria da população costuma ser uma bicicleta velha, o clã Kim desfruta de carros importados, jet skis e motocicletas. O líder, um apaixonado por cinema, teria um acervo de mais de 20 mil filmes de Hollywood e o costume de dirigir pessoalmente as cinematográficas coreografias usadas nos grandes eventos nacionais. Famoso pelos cabelos espetados, os óculos ao estilo Elvis Presley, a túnica de trabalhador e o séquito de bajuladores, Kim estaria em seu quarto casamento. Para disfarçar a baixa estatura, sempre usa sapato estilo plataforma.   Kim Jong-il assumiu o poder em 1994, após a morte de seu pai, Kim Il-sung - o fundador do Estado comunista em 1948. Com a sucessão, o clã deu início à primeira dinastia comunista do mundo.   (Com The New York Times)

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