Ambições políticas de Meirelles são 'problema' diz 'Economist'

Revista destaca necessidade de possível aumento nas taxas de juros com a retomada do crescimento.

BBC Brasil, BBC

15 de outubro de 2009 | 19h42

A retomada do crescimento no Brasil traz novos problemas para o país, entre eles a ambição política do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirma um artigo publicado na edição desta semana da revista britânica The Economist.

A publicação cita a filiação de Meirelles ao PMDB e comenta ainda a possível candidatura do presidente do BC ao governo do Estado de Goiás e não descarta a possibilidade de ele tentar uma vaga no Senado ou a vice-Presidência.

Segundo a Economist, os responsáveis pela política econômica do Brasil atravessam uma boa fase e destaca o aumento no investimento estrangeiro e a estabilidade do nível de emprego no país.

"Ao contrário do que houve em crises anteriores, a posição fiscal do governo estava forte o suficiente para permitir um aumento nos gastos para evitar problemas", afirma a revista.

O texto destaca que, também diferentemente das crises anteriores, o governo cortou as taxas de juros - fator que, segundo a revista, seria parcialmente responsável pela curta duração da recessão no Brasil.

Dilemas

De acordo com a revista, a forte recuperação está trazendo dilemas diferentes para o Brasil do que aqueles enfrentados pela Europa, América do Norte ou China já que, com o fortalecimento do dólar e o aumento no déficit em conta corrente, analistas acreditam que o Banco Central tenha que aumentar as taxas de juros novamente.

Segundo a publicação britânica, é exatamente nesse ponto que "as ambições políticas de Meirelles começam a parecer estranhas".

"Para um indicado do presidente aumentar as taxas de juros em ano eleitoral é preciso ter coragem. Isso pode ser ainda mais difícil caso ele mesmo seja candidato", diz o texto.

A Economist cita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu para que Meirelles permaneça no cargo até o final do mandato, em dezembro de 2010. O presidente do BC tem até março para renunciar caso queira ser candidato, o que poderia significar que o Brasil teria três presidentes diferentes na instituição em apenas um ano.

"Felizmente, o Brasil está agora estável o suficiente para que essa reviravolta não seja fatal. Mas pode ter um custo", conclui o texto.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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