Ameaça de inflação após unificação preocupa analistas

O fim da dualidade monetária anunciada ontem pelo governo cubano preocupa analistas ouvidos em Miami. Trata-se de um processo de "unificação" da moeda que deverá produzir uma "inflação enorme", principalmente logo após a adoção da medida, afirmou Jaime Suchlicki, diretor do Instituto de Estudos Cubanos e Cubano-Americanos da Universidade de Miami.

O Estado de S. Paulo,

22 de outubro de 2013 | 23h00

Ele manifestou suas dúvidas quanto à capacidade do Estado cubano de controlar os preços e evitar uma disparada da inflação. Ele qualificou a medida como "difícil, perigosa para o regime e negativa para a população".

Sem mencionar um cronograma, a nota oficial cubana indica que "será iniciado o processo de unificação monetária para pessoas jurídicas e físicas". Segundo Suchlicki, uma autêntica transformação implicaria "abrir a economia e permitir que o cidadão cubano fosse dono de empresas e pudesse negociar com companhias estrangeiras e exportar". Ele reconhece que "era preciso acabar" com a moeda dupla e entrar num processo de unificação monetária, mas pondera que "essas decisões são políticas, e não econômicas".

Para Jorge Duany, diretor do Instituto de Investigación Cubana da Universidade Internacional da Flórida, o funcionamento "indefinido" da dualidade monetária "era uma situação insustentável" e contribuía para causar "desequilíbrios muito grandes". Para ele, é provável que esse processo de unificação monetária "iguale a situação socioeconômica para todo mundo e termine com esse apartheid de desigualdade em razão da dualidade monetária na ilha", diz. "Trata-se de uma medida necessária, embora deva causar inicialmente insegurança e deficiência. Sua finalidade é corrigir um pouco a situação financeira do país", concluiu.

Andy Gómez, ex-professor da Universidade de Miami, afirmou que o anúncio do processo é um "passo importante" e "positivo" e tem origem nas reformas econômicas que o governo cubano criou para tirar a economia de seu estado de prostração. O problema, destacou o atual assessor do escritório de advocacia Poblete Tamargo, é que o Estado cubano "carece de estrutura" para implementar essa reforma. Ele destacou que "sem investimentos estrangeiros a economia cubana não poderá tomar o caminho do crescimento". Isso será um simples "paliativo para uma ferida de uma dimensão muito profunda", afirmou. /EFE

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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