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Enoch David/Reuters
Enoch David/Reuters

Ameaça de nova erupção de vulcão faz cidade da República Democrática do Congo ser esvaziada

Governador da província de Kivu Norte informou que ainda há magma sob bairros da cidade e que uma nova erupção pode ocorrer sem sinal de alerta

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2021 | 07h25

GOMA, REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO - As autoridades de Goma, cidade localizada na região leste da República Democrática do Congo, ordenaram nesta quinta-feira, 27, que civis deixem suas casas em parte da cidade, devido ao risco de erupção do vulcão Nyirangongo.

O Nyiragongo entrou em erupção de modo repentino no sábado, 22, quando a lava fluiu em duas direções a partir dos flancos do vulcão. Uma parte parou nos subúrbios ao nordeste de Goma, e a outra cortou ao longo de um quilômetro a Rodovia Nacional 4, uma rota regional vital para o abastecimento da cidade. De acordo com as autoridades, 32 pessoas morreram desde a erupção, e entre 900 e 2.500 casas foram destruídas. Ao menos 10 bairros estão sem água corrente e grande parte da cidade não tem energia elétrica.

"Os dados atuais de sismicidade e de deformação do solo indicam a presença de magma sob a área urbana de Goma, com uma extensão sob o lago Kivu", declarou o governador militar da província de Kivu Norte, o general Constant Ndima.

"Atualmente, não podemos descartar a erupção em terra ou sob o lago, que poderia acontecer com pouco ou nenhum sinal de alerta", completou o governador, que citou os nomes de 10 bairros da cidade afetados pela medida.

A saída da cidade é obrigatória e acontecerá no sentido de Sake, uma localidade que fica 20 km ao oeste de Goma, segundo Ndima. "As pessoas devem levar o mínimo, para que todos tenham a possibilidade de embarcar depois de fechar cuidadosamente suas casas."

Imediatamente após o anúncio, milhares de pessoas iniciaram a fuga em direção à região congolesa de Masisi e de Sake, assim como à fronteira com Ruanda.

Veículos de todo tipo, incluindo carros com famílias e caminhões-tanque, aguardavam diante da "grande barreira" - a fronteira de Ruanda ao sul da cidade. As ruas da zona sul de Goma estavam lotadas, com pessoas caminhando e carregando colchões, malas ou seus poucos pertences em sacolas de plástico. Crianças muito assustadas acompanhavam os pais.

Apesar dos engarrafamentos, a passagem para Ruanda foi relativamente tranquila, pois a maioria dos veículos seguiu para Sake.

Goma, uma cidade de mais de 600 mil habitantes, tem uma população que alcança dois milhões de pessoas quando adicionada as áreas da periferia. Ao mesmo tempo, a região é uma zona de intensa atividade vulcânica, com seis vulcões, incluindo o Nyiragongo e o Nyamuragira, de 3.470 metros e 3.058 metros respectivamente.

Novos tremores, novos temores

A erupção do Nyiragongo, no sábado, provocou uma primeira fuga de moradores, que retornaram nos dias seguintes. O temor de uma nova erupção permaneceu, no entanto, devido aos incessantes terremotos registrados na região.

De acordo com o governador da província, dados atuais de sismicidade e de deformação do solo indicaram a presença de magma sob a área urbana de Goma, com uma extensão sob o lago Kivu.

"Existem riscos adicionais vinculados à interação entre a lava e a água do lago", explicou Ndima, que mencionou uma das hipóteses mais perigosas, que seria a desestabilização do gás sob o lago, o que provocaria uma "erupção límnica".

Em uma erupção deste tipo, também conhecida como fenômeno do lago explosivo, "os gases dissolvidos nas águas profundas do lago se elevam, especialmente o CO2, e asfixiam todos os seres vivos ao redor do lago Kivu no lado congolês e ruandês", afirmou uma nota recente do Observatório de Vulcanologia de Goma (OVG). O cenário provocaria "milhares de mortes" nos dois países.

A grande erupção anterior do Nyiragongo, em 17 de janeiro de 2002, matou pelo menos 100 pessoas./ AFP

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