Ameaça de sanção ao Irã prejudica diplomacia, diz China

O ministro das Relações Exteriores da China, Yang Jiechi, afirmou hoje que ameaçar o Irã com mais sanções é algo que atrapalhará os esforços diplomáticos para resolver a questão nuclear. A China é membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), tendo poder de veto sobre possíveis sanções discutidas na entidade.

AE, Agencia Estado

04 de fevereiro de 2010 | 17h12

"Essa conversa de sanções, neste momento, complicará a situação e prejudicará que seja encontrada uma solução diplomática", disse Yang num encontro de um "think-tank" francês em Paris. Yang deverá se reunir ainda hoje com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Ambos deverão abordar a questão iraniana. Yang argumentou que o Irã não fechou totalmente a porta aos esforços da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para negociar um acordo que resolva as preocupações sobre o enriquecimento de urânio.

Os Estados Unidos e outros países pediram ontem que o Irã dê uma resposta final à proposta mediada pelas Nações Unidas, segundo a qual o país trocaria urânio enriquecido por combustível nuclear. No mesmo dia, o diretor da agência iraniana de energia atômica, Ali Akbar Salehi, incluiu o Brasil entre as nações para as quais o Irã aceitaria enviar urânio para enriquecimento.

Na terça-feira, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, sugeriu que Teerã pode aceitar a proposta de enviar urânio para o exterior, onde o material seria enriquecido, para então retornar ao país. Com isso, aumentaria o controle sobre seu programa nuclear, diminuindo a possibilidade de haver um programa secreto para construção de armas nucleares.

A Casa Branca pediu que o Irã contate logo a AIEA e responda à proposta internacional. Há o temor de que Teerã busque apenas ganhar tempo. "Se esses comentários indicam alguma mudança na posição do Irã, então o presidente Ahmadinejad deve deixar a AIEA saber", disse um porta-voz da Casa Branca.

O Irã precisa de combustível nuclear para seu reator monitorado pela ONU. O Ocidente teme, porém, que o programa de enriquecimento de urânio do país oculte um esforço para produção de armas atômicas. O governo iraniano nega, dizendo ter apenas fins pacíficos, como a produção de energia elétrica. A AIEA propôs que Teerã envie urânio pouco enriquecido para países como Rússia e França. O material seria então mais enriquecido e retornaria ao país, pronto para o uso no reator.

Brasil

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Alfredo Tranjan Filho, rejeitou a possibilidade de um convênio nesse sentido com o Irã. Ele lembrou que a produção atual da INB não atende nem a demanda brasileira. O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, lembrou em nota que essa possibilidade não havia sido discutida nas conversas bilaterais.

A aparente mudança de posição do governo iraniano foi recebida com cautela no chamado sexteto - grupo que inclui Estados Unidos, China, Grã-Bretanha, França e Rússia, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha. O sexteto lidera as negociações sobre o tema com o Irã.

"O acordo ainda está sobre a mesa", disse a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Em seguida, Hillary lembrou que o canal adequado para responder à proposta é a AIEA. A Grã-Bretanha também pediu ao Irã clareza em sua posição. As informações são da Dow Jones.

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