Ameaça kirchnerista reduz anúncio de mercados em jornais

Páginas de publicidade de redes varejistas caem de 570, em setembro de 2012, para 118, no mês passado

Ariel Palacios, Correspondente - O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2013 | 02h07

BUENOS AIRES - Deputados argentinos de partidos da oposição apresentaram ontem no Parlamento o relatório "Índice de Censura Moreno", nome irônico dado à "proibição" imposta pelo secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, a supermercados de anunciar em jornais. Segundo o relatório, em setembro houve queda de 81% da publicidade do setor em comparação com o mesmo mês de 2012.

O relatório também indica que em setembro os jornais tiveram 118 páginas de publicidade, o que equivale a 79% a menos do que a média de 2012, quando tinham 570 páginas de publicidade.

A ameaça velada feita pelo secretário em fevereiro, tinha, segundo analistas, a intenção de "esconder" dos leitores a alta de preços. Além disso, teria a intenção de "asfixiar" os jornais do país críticos ao governo da presidente Cristina Kirchner.

Segundo os parlamentares da oposição, as pressões oficiais, além de violar a liberdade de expressão e a sustentabilidade econômica de meios de comunicação independentes, privam os usuários e consumidores de informações sobre preços e produtos. O caso será levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Os parlamentares alegam que grandes redes de supermercados estrangeiros instaladas na Argentina cederam às pressões de Moreno. O deputado Carlos Brown, do peronismo dissidente, afirmou que "as medidas têm o objetivo de eliminar economicamente jornais independentes, algo já condenado por um relatório da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol) sobre a liberdade de imprensa na Argentina". O deputado Eduardo Amadeo, outro peronista dissidente, afirmou que "existem empresas estrangeiras importantes que aceitaram o silêncio, violando valores que defendem em seus países".

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