Mauro PIMENTEL/AFP
Mauro PIMENTEL/AFP

Ameaça militar de Trump à Venezuela é “figura de retórica”, diz Mourão

Vice-presidente brasileiro reafirmou que Brasil não defende solução militar para processo venezuelano

Beatriz Bulla e Ricardo Leopoldo, enviados especiais, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2019 | 20h24

BOSTON - O vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou neste sábado, 6, que a ameaça do presidente americano, Donald Trump, de uso de força para intervenção na crise da Venezuela é uma “figura de retórica” que não deve se converter em ação concreta. Os Estados Unidos têm liderado uma pressão da comunidade internacional pelo fim do regime de Nicolás Maduro e Trump tem adotado a estratégia de dizer que “todas as opções estão sobre a mesa”, deixando no ar a hipótese uma ação militar. Para Mourão, a fala de Trump é “mais uma pressão, figura de retórica, do que uma ação mesmo”.

Ele também afirmou que o Brasil deixa claro que não pensa em uma ação militar. “O processo venezuelano vai se prolongar nessa agonia por um tempo”, afirmou Mourão, dizendo que é preciso de um movimento doméstico na Venezuela para a transição do regime de Maduro para um novo governo.

“A aplicação do hard power, uma intervenção militar, eu vejo como muito pouco provável, mesmo com todo o poderio bélico que os EUA têm, pela própria situação do país e pelas características topográficas da Venezuela”, afirmou Mourão em entrevista a jornalistas em Boston, onde está para participar do Brazil Conference, evento organizado por alunos brasileiros das universidades de Harvard e do MIT.

O Brasil, assim como os EUA, reconhecem o opositor a Maduro, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela. Na Casa Branca, em março, o presidente Jair Bolsonaro  endossou a tática americana e não foi claro sobre o eventual apoio do Brasil a uma ação militar no país vizinho. Depois, no Chile, Bolsonaro afirmou que isso não está em discussão. Os militares brasileiros rechaçam qualquer tipo de apoio a uma ação militar.

 

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