Ameaça preocupa empresariado na Argentina

O presidente da União Industrial Argentina (UIA), José Ignácio de Mendiguren, admitiu ontem que a ameaça do presidente do Paraguai, Federico Franco, de suspender as vendas de energia elétrica para o Brasil e a Argentina, é "preocupante". A Argentina vive uma crise energética intermitente desde 2004, que tem prejudicado produção industrial do país. "Na UIA, acompanhamos diariamente a questão energética, já que o país possui um grande déficit na área", explicou.

O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2012 | 03h02

A Argentina divide com o Paraguai a hidrelétrica de Yaciretá, sobre a qual o governo de Assunção também reclama sobre baixos pagamentos.

Em entrevista, Mendiguren, afirmou que a suspensão temporária do Paraguai das reuniões do Mercosul provocou uma "área de indefinições". Segundo ele, "o melhor é que isto seja resolvido o mais rápido possível".

Mendiguren ainda relativizou os conflitos comerciais com o Brasil. "Nossa relação bilateral não tem de ser dramatizada. Às vezes, com o Brasil, o grau de protesto de lá não se relaciona com a realidade. A sensação térmica, muitas vezes, é diferente da realidade", disse em referência às reclamações do empresariado brasileiro sobre as barreiras protecionistas do governo da presidente Cristina Kirchner.

"O ano passado tivemos um déficit de US$ 9 bilhões na área industrial com o Brasil. Nos últimos seis anos são US$ 52 bilhões acumulados no setor. São mais de 80 meses de balança comercial favorável ao Brasil na área industrial. Cada vez que a balança comercial é favorável à Argentina, o Brasil apela", ironizou. / ARIEL PALACIOS

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