Robyn Beck/AFP
Robyn Beck/AFP

Ameaça terrorista pauta 5° debate republicano nos EUA

Pré-candidatos participaram do quinto embate antes das prévias do partido; Trump e Rubio sustentam propostas radicais

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE/WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2015 | 06h14

WASHINGTON - Os Estados Unidos foram apresentados como um país inseguro, vulnerável e sob ataque de radicais islâmicos terroristas no quinto debate entre os pré-candidatos republicanos à presidência, que tentaram convencer o público de que são os mais preparados para dirigir os EUA na guerra contra o Estado Islâmico. O grande enfrentamento da noite opôs os senadores Ted Cruz e Marco Rubio, que buscam garantir o segundo lugar na corrida liderada por Donald Trump.

O encontro ocorreu duas semanas depois do ataque que deixou 14 pessoas mortas em San Bernardino e no dia em que um falso alarme de bomba levou à suspensão de aulas em todas as escolas de Los Angeles. A discussão também teve a influência do atentado que deixou 130 vítimas em Paris há pouco mais de uma mês, em uma ação reivindicada pelo Estado Islâmico.

Em diferentes graus, todos os candidatos exploraram o temor dos americanos em relação ao terrorismo, que nos últimos dias atingiu níveis não vistos desde o momento posterior aos ataques de 11 de setembro de 2001. Incluindo o atentado em San Bernardino, 45 pessoas morreram nos EUA neste ano em ações inspiradas no radicalismo islâmico. O número é inferior às 48 que foram vítimas de atos terroristas cometidos por extremistas brancos de direita, segundo levantamento da New American Foundation. 

No dia 3 de outubro, um único ataque dos Estados Unidos a um hospital da organização Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão deixou 42 pessoas mortas, entre as quais médicos e pacientes.

Em quinto lugar nas pesquisas, o ex-governador da Flórida Jeb Bush foi mais assertivo na defesa de suas posições e em suas críticas às propostas de Trump de barrar a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos e de punir familiares de terroristas, mesmo que eles não tenham responsabilidade por seus atos. "Você não vai chegar à presidência com insultos", afirmou Bush, para quem as posições de Trump não são "sérias".  

Cruz e Rubio divergiram em relação à estratégia de combate ao Estado Islâmico, à reforma do sistema de imigração e à mudança dos programas de vigilância da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês). Em segundo lugar nas pesquisas, Cruz reiterou a proposta de "cobrir de bombas" as posições do grupo extremista na Síria e no Iraque, evitando responder de maneira direta se estaria disposto a provocar a morte indiscriminada de centenas de milhares de civis em Raqqa, cidade que é a capital do grupo na Síria.

Rubio defendeu o fortalecimento das alianças com países árabes sunitas da região. Segundo ele, a confiança dessas nações nos Estados Unidos foi enfraquecida pela política de Barack Obama e o acordo nuclear com o Irã, país de maioria xiita visto como adversário pelos aliados tradicionais americanos.

O destino do presidente sírio Bashar Assad também opôs os dois senadores. Cruz se colocou contra a política de mudanças de regime e disse que o Oriente Médio era mais estável com Saddam Hussein no Iraque, Muamar Kadafi na Líbia e Hosni Mubarak no Egito. "Se derrubarmos Assad, o ISIS tomará o controle da Síria", afirmou Cruz, usando uma das siglas pelas quais o grupo é conhecido. 

"Se um ditador anti-americano como Assad cair, eu não vou derramar uma lágrima", respondeu Rubio, que atacou Cruz pelo conservadorismo fiscal que levou a sucessivos cortes no orçamento militar. "Não podemos cobrir o ISIS de bombas se não tivermos aviões", provocou.

A proposta de Trump de proibir de maneira indiscriminada a entrada de muçulmanos nos EUA foi criticada por todos os demais participantes do debate. O bilionário também ficou na berlinda por defender o "fechamento" de parcelas da internet, para torná-la inacessível aos extremistas, e por propor punição de familiares de terroristas. Em participação pelo Facebook, um jovem perguntou ao candidato como os EUA se diferenciariam do Estado Islâmico se passassem a matar pessoas por seus vínculos familiares com suspeitos de atos terroristas.

"Isso faria muita gente pensar. Porque eles não se preocupam muito com suas próprias vidas, mas eles se preocupam, acredite ou não, com a vida de seus familiares", afirmou Trump. "A ideia de que isso é a solução é simplesmente uma loucura", interveio Bush. "Não faz o menor sentido sugerir isso."

Ainda em terceiro lugar, mas em queda livre nas pesquisas, o ex-eurocirurgião Ben Carson se colocou contra a aceitação de refugiados sírios pelos Estados Unidos, posição defendida por muitos dos outros candidatos. "Os terroristas se infiltrarão entre os refugiados. Se não fizerem isso, serão culpados de negligência terrorista."

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