Ameaçado, presidente do Paquistão defende reconciliação

O presidente do Paquistão, PervezMusharraf, que se encontra sob uma crescente pressão pararenunciar, defendeu na quinta-feira a reconciliação dospaquistaneses para enfrentar os problemas econômicos do país eos militantes islâmicos. O apelo de Musharraf, no entanto, não produziuaparentemente efeito nenhum sobre os esforços da coalizãogovernista para tirá-lo do poder. Membros dessa coalizão,liderada pelo partido da primeira-ministra assassinada BenazirButtho, disseram que o procedimento de impeachment continuava aavançar. O líder, em um discurso feito no Dia da Independência etransmitido por canais de TV, não se referiu nem aos planos dacoalizão governista para tirá-lo do poder e nem aos apelos paraque renuncie. "Se desejamos colocar nossa economia no caminho certo ecombater o terrorismo então precisamos da estabilidadepolítica. A menos que tenhamos estabilidade política, acho quenão conseguiremos enfrentá-los da forma adequada", disse. "A estabilidade política, na minha opinião, só poderá serobtida por meio de uma postura de reconciliação e não de umapostura de confrontação", afirmou o ex-chefe das Forças Armadase fiel aliado dos EUA em suas primeiras declarações públicasdesde que a coalizão governista anunciou, na semana passada, oplano de impeachment. Musharraf encontra-se no centro de uma crise políticainiciada no ano passado e responsável por deixar os EUA e seusaliados preocupados com a estabilidade do Paquistão, um Estadoislâmico armado com bombas nucleares e cujo território vemsendo usado como esconderijo por líderes da Al Qaeda. O presidente subiu ao poder em 1999 por meio de um golpe,mas ficou isolado depois de os aliados dele terem perdido aseleições de fevereiro. Há muitos boatos sobre a possibilidadede Musharraf renunciar para evitar o impeachment. O porta-vozdele, no entanto, rebateu esses rumores. O clima de insegurança deixou nervosos os investidores. Arúpia caiu mais uma vez diante do dólar, na quarta-feira, e osmercados de ação atingiram o menor patamar dos últimos doisanos. Os mercados financeiros não funcionaram na quinta-feira. (Reportagem adicional de Kamran Haider)

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