Ameaças do governo não impedem manifestações no Irã

Milhares de iranianos se reuniram em vários pontos da capital Teerã hoje. Nos últimos dias, líderes opositores pediram permissão para realizar uma manifestação de solidariedade aos tunisianos e egípcios, que recentemente derrubaram seus próprios governos.

AE, Agência Estado

14 de fevereiro de 2011 | 12h23

Cerca de 4 mil pessoas se reuniram na praça Azadi, centro da capital iraniana, e mais estavam chegando. Dezenas de policiais em motocicletas circulavam a praça, segundo testemunhas, sites opositores e posts colocados na internet. Testemunhas disseram que alguns milhares de manifestantes também haviam se reunido na praça imã Hussein. Eles se sentaram no chão e começaram a cantar quando a polícia tentou dispersá-los.

Segundo testemunhas, por volta do meio da tarde multidões se dirigiam para o centro de Teerã. As pessoas marchavam silenciosamente em grandes grupos na direção da praça Azadi. Lojas e restaurantes ao longo do percurso foram fechados e forças de segurança circundavam o campus da Universidade de Teerã, evitando que os estudantes entrassem no local.

Milhares de estudantes também se aglomeraram no campus da Universidade Sharif, em preparação para seguirem para a praça. Um ativista publicou num blog que, até aquele momento, a polícia não havia impedido os estudantes de participar das manifestações. A principal rota dos protestos parece seguir pela avenida Enghelab, uma das vias mais longas e largas de Teerã.

Testemunhas disseram que as forças de segurança presentes nas ruas se limitavam a policiais à paisana. Durante os protestos realizados no ano passado e em 2009, forças de segurança em trajes civis, dentre elas membros da milícia Basij, foram às ruas. Na manhã de hoje eles não foram avistados pelas testemunhas.

No meio da tarde, esses policiais à paisana estavam em várias ruas da capital, desviando o tráfego e impedindo o acesso - a pé e de carro - à praça Azadi. As estações de metrô das proximidades foram fechadas.

Oposição

Os líderes opositores Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karoubi estavam sob prisão domiciliar e o contato telefônico com suas casas, tanto por linha fixa como por celular, foram cortados, informaram sites opositores. Carros da polícia bloqueavam a entrada das ruas onde eles moram e chegaram a impedir que a mulher de Mousavi saísse de casa.

Pouco depois da controversa eleição presidencial que reelegeu Mahmoud Ahmadinejad em junho de 2009, as autoridades proibiram a imprensa livre e reuniões contra o governo, o que torna difícil estimar a quantidade de pessoas que participam de manifestações contra o regime. Líderes opositores pediram ao povo que retornasse às ruas após a renúncia, na última sexta-feira, do presidente do Egito, Hosni Mubarak.

Ontem, os mais importantes líderes da oposição, Mousavi e Karoubi, divulgaram um comunicado mantendo a convocação para as manifestações de rua, apesar das ameaças do governo de que tomaria medidas coercitivas. Na noite de ontem, pela primeira vez em meses ouviram-se gritos, dos telhados das casas em Teerã, da frase "Deus é Grande" e "Morte ao ditador", como mostram vídeos colocados na internet. Os gritos, comuns durante a revolução iraniana mais de 30 anos atrás, foram retomados durante os protestos contra o regime em 2009 e 2010. As informações são da Dow Jones.

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