AP
AP

Ameaças do Taleban reduzem comparecimento eleitoral

Ausência de eleitores pode afetar chances de reeleição de Karzai; 300 mil fazem a segurança do pleito

20 de agosto de 2009 | 06h56

 As ameaças do Taleban mantiveram baixo o comparecimento dos eleitores às urnas na capital do Afeganistão e no sul do país, reduto dos militantes do grupo radical islâmico. Os militantes fizeram lançamentos esparsos de foguetes e ataques a bomba. Em Cabul, os insurgentes foram mortos durante troca de tiros na capital. Os militantes do Taleban prometeram sabotar o pleito e circularam ameaças de punição a quem fosse votar.

 

O comparecimento eleitoral, particularmente no violento sul afegão, será chave para o sucesso da votação na segunda eleição presidencial direta do país. A ausência do eleitorado no sul pode afetar as chances de reeleição do presidente Hamid Karzai e favorecer seu principal adversário, o ex-ministro de Relações Exteriores Abdullah Abdullah. O comparecimento no norte é aparentemente elevado, um bom sinal para o rival do presidente. Autoridades internacionais tinham previsto uma eleição imperfeita, mas manifestaram esperança de que os afegãos a aceitassem como legítima - um componente importante da estratégia militar do presidente dos EUA, Barack Obama.

 

Veja também:

linkCorrupção consome até 40% da ajuda externa ao país

linkONU reconhece que haverá fraude no pleito de 5ª feira

linkEntrevista: Porta-voz nega trégua do Taleban antes da eleição

som Enviado especial Lourival Sant'Anna fala do clima violento em Cabul

especial Especial: 30 anos de violência e caos no Afeganistão 

lista Perfil: Hamid Karzai é favorito à reeleição no Afeganistão

lista Perfis: Ex-ministros são os principais rivais de Karzai

video TV Estadão: Correspondente do 'Estado' vai ao local de atentado no Afeganistão

mais imagens Fotos: Galeria de imagens do clima eleitoral

 

Um repórter da Associated Press que visitou seis postos de votação em Cabul disse não ter visto filas em nenhum deles. Outro repórter da AP, em Kandahar, a maior cidade do sul e berço espiritual do Taleban, também disse ter visto poucos eleitores.

 

Relatos esparsos de violência surgiram pelo país, inclusive sobre um foguete que caiu próximo a eleitores em Helmand e sobre uma explosão num local de votação em Cabul. Empresas de segurança na capital relataram pelo menos cinco explosões e a polícia de Cabul trocou tiros por mais de uma hora com um grupo de homens armados, incluindo um homem-bomba que detonou os explosivos que levava junto ao corpo. O porta-voz do Taleban, Zabiullah Mujahid, chamou a AP para dizer que cinco atiradores estavam travando combate com a polícia.

 

Pelo menos dois homens morreram nesta quinta-feira, 20, em um tiroteio com as forças de segurança em Cabul. Também houve três ataques com explosivos no norte e no sul do país. Um policial informou que um grupo de homens armados protagonizou um tiroteio com as forças de segurança nos bairros de Kort e Naw, na capital. No choque, um homem foi detido e os outros dois conseguiram escapar. De acordo com uma testemunha, o tiroteio aconteceu em um prédio de três andares, situado perto de uma escola e em frente a uma delegacia. O incidente não foi confirmado pelo Ministério do Interior.

 

No norte do país, dois mísseis caíram perto de um colégio eleitoral na cidade de Kunduz, capital da província homônima, como explicou uma fonte das forças de segurança, que disse que o ataque não deixou vítimas. Além disso, uma bomba explodiu perto de um quartel policial na província de Takhar (norte), informou o chefe da Polícia local, Ziauddin Mahmoodi. Segundo ele, como consequência da explosão um muro do quartel foi destruído. Nessa mesma província, dois supostos terroristas suicidas que tentaram entrar em um colégio eleitoral foram detidos no distrito de Farkhar.

 

Outros dois mísseis atingiram os arredores da cidade de Kandahar (sul), um dos redutos dos taleban, como informou o governador provincial, Tooryalai Wesa, em declarações à imprensa após votar. O governo afegão pediu na terça-feira aos jornalistas que não informassem sobre atos de violência para não prejudicar a participação nas eleições.

 

Karzai vota

 

Com seu tradicional manto vermelho de listras verdes, o presidente Hamid Karzai votou às 7h (hora local) num colégio de Cabul. Ele mergulhou seu dedo indicador na tinta irremovível - uma medida de prevenção contra fraudes - e manteve-o suspenso diante das câmeras. "Peço que o povo afegão saia e vote, pois por meio do seu voto o Afeganistão será mais seguro, mais pacífico", afirmou. "Vote. Sem violência." Os resultados preliminares devem ser anunciados em Cabul no sábado.

 

A grande maioria dos colégios eleitorais afegãos abriu suas portas para o pleito presidencial, apesar da ameaça de boicote e da violência taleban, confirmou à Agência Efe um porta-voz das Nações Unidas. "Uma vasta maioria dos colégios recebeu o material logístico e pôde abrir. As eleições estão sendo pacíficas, embora com as tentativas já esperadas dos talebans de interromper o processo", disse o porta-voz Aleem Siddique, da missão da ONU no Afeganistão (Unama).

 

A comissão eleitoral tinha previsto a abertura de mais de 6.500 centros de votação, mas nenhuma fonte oficial se atreveu a confirmar em quantos deles seria possível realizar o processo, já que a segurança não era totalmente garantida em todas as regiões. "Há uma participação lenta, mas sustentada. Mais eleitores no norte e menos no sul e no leste, onde os talebans têm mais força", disse o porta-voz da missão da ONU.

 

Cerca de 300 mil soldados afegãos e membros da Isaf (a força de manutenção de paz liderada pela Otan) estão trabalhando durante o pleito para garantir a segurança de cerca de 17 milhões de eleitores.

Segundo ele, a ONU constatou claros esforços dos insurgentes para intimidar eleitores, embora até o momento tenham acontecido "poucas mortes". "Não nos preocupa a participação, não estamos aqui para analisar os resultados. O que queremos são eleições críveis e aceitáveis", concluiu.

Tudo o que sabemos sobre:
Afeganistãoeleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.