Ameaças e detenções às vésperas das eleições na Colômbia

Dois dias antes das eleições legislativas que levarão às urnas 24 milhões de colombianos, a guerrilha declarou "objetivos militares" os que participarem das eleições no departamento (estado) petroleiro de Arauca, no nordeste da Colômbia. Em meio ao clima geral de violência, as autoridades desativaram bombas e capturaram dezenas de supostos rebeldes em operações preventivas em todo o país.A 10ª frente da Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) decretou uma "greve armada" indefinida apartir da 8h00 da manhã desta sexta-feira com o objetivo de "impedir as eleições" em Arauca."Quem participar direta ou indiretamente do processoeleitoral está na contramão de nossos princípios e apóia oengodo ao povo, por isso se converte em nosso objetivo militar" afirmou um comunicado lido pela cadeia Radionet por Carlos Reyes, porta-voz da guerrilha na região. Em Bogotá, a capital, e outras cidades do país, asautoridades efetuaram 200 buscas prendendo dezenas de supostos guerrilheiros da Farc, informou o diretor do Departamento de Segurança (DAS), coronel Germán Jaramillo.Quatro milicianos que administravam um "centro hospitalar" da guerrilha no sul de Bogotá foram detidos nas últimas horas pelo DAS, a polícia secreta. Jaramillo assegurou que à frente das Farc em Bogotá estáCarlos Antonio Lozada, um dos porta-vozes da Farc que durante três anos participou das conversações de paz. O Exército, por sua vez, desativou 85 quilos de explosivos aparentemente destinados a atentados durante o pleito na capital e efetuou nesta madrugada a prisão de 14 supostos guerriilheiros em seus arredores, enquanto por todo o país as Forças Armadas se mantêm hoje aquarteladas, como prevê o Plano Democracia, para garantir a normalidade do dia eleitoral´.A partir desta sexta-feira também rege a "lei seca", que proíbe a venda e consumo de bebidas alcoólicas em estabelecimentos públicos e privados, e o ministro do Interior, Armando Estrada, declarou proibido o porte de armas.Mais de 100.000 homens, entre soldados e policiais, seencarregarão da vigilância nos 1.097 municípios colombianos onde se realizarão eleições para as 102 cadeiras do Senado e 166 da Câmara. O comandante das Forças Armadas, general Fernando Tapiasasssegurou que "está tudo pronto para garantir as eleições em 90% do território colombiano".O clima de insegurança que cerca as eleições já custou avida de mais de uma dezena de parlamentares e dificultou odesenrolar da campanha dos candidatos.Seis membros do Legislativo eleito em 1998 foramassassinados pelas guerrilhas, paramilitares ou assassinos dealuguel. O último crime ocorreu no sábado passado, quando asenadora Martha Catalina Daniels foi executada em uma estrada rural nos arredores de Bogotá enquanto buscava a libertação de dois dirigentes políticos seqüestrados. As Farc mantêm como reféns cinco congressitas que propõem trocar por guerrilheiros presos, apesar da resposta negativa do governo - que rompeu o processo de paz em 20 de fevereiro após o seqüestro de um senador que foi retirado de um avião pelo grupo rebelde.

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