Ameaças fazem do 11/9 o mais tenso desde 2001

Provocação de pastor da Flórida, projeto de centro islâmico no Marco Zero e planos de protesto colocam os EUA em alerta

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2010 | 00h00

A ameaça de queimar exemplares do Alcorão e os planos de construir um centro comunitário perto de onde ficavam as Torres Gêmeas fizeram este 11 de setembro ser o mais tenso desde os atentados de 2001. Até o ano passado, a data era marcada com discrição em Nova York. A cerimônia se restringia apenas à leitura dos nomes das vítimas no Marco Zero. Hoje, porém, estão previstos protestos dos EUA ao Afeganistão.

Por coincidência, este ano, o último dia do Ramadã (mês sagrado dos muçulmanos) caiu exatamente no 11 de setembro. Na quinta-feira, o pastor Terry Jones, que ameaçou fazer uma fogueira com o livro sagrado do Islã, disse ter suspendido o "protesto".

Segundo ele, líderes muçulmanos de Nova York garantira que não construiriam mais um centro islâmico no Marco Zero - afirmação desmentida pelo coordenador do projeto, o imã Feisal Abdul Rauf. Ontem, Jones estabeleceu um prazo - que expira hoje - para que Rauf lhe telefone. Caso o líder muçulmano não entre em contato, a "fogueira do Alcorão", em Gainesville, Flórida, será mantida.

A polícia de Nova York, preocupada com possíveis atos hostis na cidade, reforçará hoje a segurança ao redor do Marco Zero. Haverá protestos contra e a favor da construção do centro islâmico. Os policiais também temem ações contra outras mesquitas na cidade, onde muçulmanos celebrarão o fim do Ramadã.

Nos últimos dias, cresceram os sinais de ameaça a muçulmanos e um taxista chegou a ser esfaqueado. Outras ações contra islâmicos e suas propriedades foram registrados no país.

Ao mesmo tempo, houve um envolvimento maior de muçulmanos americanos em ações violentas nos EUA e no exterior. Um soldado de ascendência islâmica matou 14 militares em uma base do Exército no Texas, em novembro. Um iemenita de origem americana transformou-se no mais perigoso líder da Al-Qaeda no exterior. Um outro muçulmano tentou explodir um furgão no meio da Times Square, em maio.

Segundo pesquisa do instituto Abt SRBI, 25% dos americanos não consideram os muçulmanos dos EUA patriotas. Para 28%, eles deveriam ser proibidos de concorrer à presidência e, para 32% , eles não devem integrar a Suprema Corte. Outros 43% afirmam ter uma imagem desfavorável do islamismo. Usando esses números, a revista Time questionou, na capa de sua edição de 30 de agosto, se os americanos são "islamofóbicos".

Apoio. Uma coalizão de líderes cristãos, judeus e muçulmanos publicou um comunicado alertando para os riscos da islamofobia. "Preocupados com o crescimento da discriminação contra os muçulmanos, que tentam construir seus templos de oração ao redor dos EUA, formamos uma coalizão para ajudar essas comunidades a confrontar essa oposição", afirma o grupo.

NOVE ANOS DE AMEAÇAS

11 de setembro de 2001

Atentados contra as Torres Gêmeas, em Nova York, e o Pentágono, em Washington

Outubro de 2001

EUA invadem o Afeganistão em busca de Osama bin Laden

Ataques com antraz

Cartas com o agente biológico deixam cinco mortos

Março de 2003

EUA invadem o Iraque para depor Saddam Hussein

Janeiro de 2005

2º mandato de George W. Bush

Janeiro de 2009

Posse de Barack Obama

Setembro de 2009

Plano de ataque ao metrô de NY

Dezembro de 2009

Nigeriano com bomba tenta explodir avião para Detroit

Maio de 2010

Carro-bomba é desativado na Times Square

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