Carlos Jasso/Reuters
Carlos Jasso/Reuters

Terremoto no México deixa 6 mortos e aumenta ansiedade em meio a pandemia

Epicentro do tremor de 7,5 graus na escala Richter foi registrado no Estado mexicano de Oaxaca; hospitais na capital precisaram ser esvaziados

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2020 | 14h27
Atualizado 24 de junho de 2020 | 09h35

CIDADE DO MÉXICO - Como se a pandemia de covid-19 fosse pouco, o México foi sacudido nesta terça-feira, 23, por um terremoto de 7,5 de magnitude, que deixou seis mortos e danos menores, além de provocar um alerta de tsunami para América Central, Equador, Peru e Havaí.

O epicentro do tremor foi na localidade de Crucecita, Estado de Oaxaca, a uma profundidade de cinco quilômetros, segundo o Serviço Sismológico Nacional. O movimento, que aconteceu às 10h29 locais, pôde ser sentido em várias partes da capital, Cidade do México, onde centenas de pessoas foram para as ruas e houve dois feridos. 

O Serviço Sismológico Nacional (SMN) do México disse que o terremoto teve magnitude 7,5, localizado a 12 quilômetros a sudeste de Crucecita, enquanto o Serviço Geológico Nacional dos EUA calculou uma magnitude 7,4. Até esta noite, foram contabilizados 147 tremores secundários, o mais forte de 4,6, segundo o Serviço Sismológico. 

"Felizmente, não tivemos danos. De toda forma, continuaremos pedindo que sejam tomadas medidas em relação a tremores secundários e que todos cuidemos de nós mesmos sem nos angustiarmos", disse o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, em vídeo divulgado nas redes sociais.

Em Oaxaca, uma jovem morreu em um desmoronamento em Santa María Huatulco, um homem de 70 anos perdeu a vida em San Juan Ozolotepec devido à queda de um telhado e outro homem foi morreu ao ser atingido por um muro em San Agustín Amatengo. No mesmo Estado, um funcionário da estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) caiu de uma estrutura durante o terremoto e morreu no hospital.

"As instalações estratégicas não sofreram nenhum dano, isto é, portos, aeroportos, refinarias, hidrelétricas, tudo está em bom estado", informou o presidente mexicano. 

O forte tremor foi sentido em várias partes da Cidade do México, onde vivem 8,8 milhões de pessoas e que foi afetada em 2017 por um terremoto de 7,1 que deixou 369 mortos em todo o país. 

Mais preocupação

A prefeita da capital, Claudia Sheinbaum, confirmou dois feridos na cidade e "algumas quedas de cercas e fachadas". Após o terremoto, o governo americano emitiu um alerta de tsunami para a costa do Pacífico mexicano, América Central, Equador, Peru e Havaí, advertindo para ondas de até três metros de altura e que podem ser sentidas a qualquer lugar a menos de 1.000 km do epicentro do terremoto.  

Na capital, o alerta sísmico soou antes que o tremor fosse perceptível, fazendo com que várias pessoas fossem para a rua sem máscaras de proteção contra o novo coronavírus.

"Quantos problemas com o vírus, e agora os tremores. Um filho acabou de morrer e outro está doente, então imagine", disse aos prantos à agência France-Presse María Teresa Durán, de 80 anos, no Bairro Del Valle, localizado no centro da cidade. 

O fenômeno surpreendeu também vários moradores da capital que por conta da pandemia trabalham em casa. "Estávamos trabalhando de pijama, terminando o café da manhã e tivemos de sair assim", disse Sonia Flores Cano, de 29 anos.

Funcionários esvaziaram os hospitais da capital juntamente com alguns pacientes, que chegaram a sair com soro nos braços ou em cadeira de rodas. Os pacientes com covid-19 permaneceram isolados. "O andar em que temos pacientes com covid não foram esvaziados. Eles estão dentro, estão isolados, e é o procedimento que temos", afirmou Gustavo Hernández, diretor de operações de um hospital localizado no Bairro Roma, centro da capital. 

Jaime Gómez, enfermeiro de um hospital que lida com os casos de coronavírus, relatou que os pacientes com a doença permaneceram dentro das instalações, juntamente com a equipe médica. "A doutora que ficou (na área da covid) saiu normalmente depois. Os outros colegas estão bem. Todo mundo que estava na área com pacientes cobertos ficaram, só saíram os que não estavam ali no momento", disse.

"Não houve impacto na infraestrutura (...), nem danos estruturais" nos hospitais que atendem à pandemia, disse à Radio Formula o subsecretário de Saúde Hugo López-Gatell.

Em abril, o governo mexicano instruiu que, em caso de terremoto, a população se deslocasse para zonas de menor risco, mas mantendo uma "certa distância", para reduzir a probabilidade de contágios em plena pandemia. Até o momento, o México registra 185.122 casos confirmados e 22.584 mortos, para cerca de 127 milhões de habitantes. / AFP e EFE

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