REUTERS/Alkis Konstantinidis
REUTERS/Alkis Konstantinidis

América Central tem pior crise de refugiados

Milhares de pessoas de El Salvador, Honduras e Guatemala estão optando por abandonar seus países

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA

05 Abril 2016 | 20h50

A América Central vive sua pior crise de refugiados em 30 anos, com milhares de pessoas fugindo da violência do crime organizado. O alerta foi feito ontem pela ONU, que apontou para um salto inédito no número de refugiados na região.

Segundo a entidade, milhares de pessoas de El Salvador, Honduras e Guatemala estão optando por abandonar seus países. “O número de pessoas fugindo da violência na América Central atingiu níveis que não eram vistos desde os anos 80, quando a região era palco de conflitos armados”, afirmou Adrian Edwards, porta-voz das Nações Unidas.

A fronteira dos EUA é o principal foco dos refugiados e, em 2015, houve um aumento de 250% no volume de pessoas em comparação a 2014. Os números são apresentados no momento em que o candidato republicano Donald Trump prometeu que forçará o México a pagar pela construção de um novo muro.

Mas o fluxo não se limita aos EUA. Em 2015, 3,4 mil pessoas pediram asilo no México, a maioria vinda de El Salvador e Honduras. A alta foi de 165% em comparação a 2014. Na Costa Rica, foram mais 2,2 mil pedidos, uma alta de 170%. Em Belize, os pedidos de asilo tiveram um salto de mais de dez vezes. 

Nicarágua, Costa Rica e Panamá também registraram aumentos similares de pedidos de refúgio, abrindo um fluxo regional que tem preocupado a ONU. 

“A violência de larga escala nas mãos de atores criminosos passou a ser o principal fator da fuga dessas pessoas e do fluxo de migração”, esclareceu Edwards.

As informações também foram apresentadas pela ONU dias depois de a entidade Human Rights Watch revelar como guardas aduaneiros no México estavam torturando refugiados. Outra constatação da ONU é a de que milhares de menores de idade estão cruzando as fronteiras sem o acompanhamento de seus pais. 

No caso das meninas, o temor é de que sejam recrutadas para serem exploradas sexualmente. No caso dos meninos, os indícios indicam que milhares deles estariam em centros de detenção no México. “As autoridades precisam dar alternativas a essas crianças”, defendeu Edwards.


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