ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP
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América Latina é 2ª pior região para jornalistas, diz Unesco

Segundo relatório da Unesco, apenas os países árabes, incluindo os  que estão em conflito, têm mais profissionais mortos 

O Estado de S. Paulo

02 de novembro de 2016 | 18h19

PARIS - A América Latina, com 51 jornalistas assassinados em 2014-2015, é a segunda região mais perigosa do mundo para os jornalistas, atrás dos países árabes, informou um relatório da Unesco publicado nesta quarta-feira, 2.

No total, 115 jornalistas morreram em todo o mundo, especialmente nos países árabes – 78 –, sobretudo nos conflitos de Síria, Iraque, Iêmen e Líbia.

“A imprensa e a liberdade de expressão estão em estado de sítio”, advertiu a Unesco em um relatório publicado por ocasião da Jornada Internacional do Fim da Impunidade dos Crimes Contra Jornalistas.

A França, após o ataque contra a redação do semanário satírico Charlie Hebdo, no qual oito jornalistas foram mortos, aparece na terceira posição atrás da Síria, com 13 repórteres mortos,  e do Iraque, com 10.

Seguido de Brasil, México e Sudão do Sul, com sete repórteres mortos no exercício de sua profissão. Índia, Líbia e Filipinas apresentam cada um o balanço de seis jornalistas mortos.

Desde 2006, ano que a Unesco começou a publicar esse relatório a cada dois anos, a instituição registrou a morte de 827 jornalistas, o que representa  um a cada cinco dias. Apenas 2012 foi mais mortífero que 2015, com 124 jornalistas mortos.

A televisão é, pela primeira vez, o meio mais afetado, com 35 mortos em 2014 e também em 2015. Também no ano passado,  particularmente na Síria, 21 jornalistas que trabalham para sites na internet morreram.

A Unesco adverte igualmente que, embora a morte de um correspondente estrangeiro cause muita indignação, 95% dos jornalistas morrem em seu próprio país.

O organismo contabiliza em seu balanço todos os jornalistas mortos, presumindo que foram vítimas de sua profissão, ficando a cargo das autoridades nacionais a tarefa de demonstrar que não morreram em razão  do seu ofício, informou um porta-voz.

Os ataques contra  jornalistas continuam globalmente impunes em 92% dos casos – menos de um caso de jornalista morto a cada dez vai a julgamento diante de  um tribunal nacional, destaca igualmente a Unesco. / AFP 

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