Daniel Berehulak/The New York Times
Daniel Berehulak/The New York Times

Com 200 mil mortos, América Latina é 2ª região mais afetada pela covid-19

Brasil e México lideram lista de países latino-americanos com maior número de óbitos e concentram três quartos das mortes em todo o mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2020 | 07h05
Atualizado 02 de agosto de 2020 | 21h35

GENEBRA - A América Latina e o Caribe atingiram a cifra de mais de 200 mil mortos por coronavírus no fim de semana, tornando-se a segunda região mais afetada pelo novo vírus, atrás apenas da Europa. Brasil e México puxam a lista e concentram, juntos, três quartos das mortes da região, segundo dados da Universidade John Hopkins.

 

Com um total de 200.212 mortos e 4.919.054 de casos confirmados, América Latina e Caribe viram uma explosão de contágios na última semana em diversos países. Na quarta-feira, o Brasil havia registrado o recorde diário de 1.554 mortes (segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa) e a Colômbia, 380. Na quinta-feira, foi a vez de a Argentina registrar o recorde diário de 153 mortos. 

Agora, os óbitos em razão da covid-19 na América Latina e no Caribe representam cerca de um terço do total mundial: 685.780 mortos e 17.868.148 pessoas infectadas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A Europa, região com mais mortes pela doença, registra 210.435 óbitos e 3.189.322 infecções.

No dia 28 de abril, a América Latina e o Caribe tinham superado a marca de 10 mil mortos. No dia 23 de junho, a região chegou aos 100 mil mortos. Pouco mais de um mês depois, os casos dobraram, superando os 200 mil mortos, uma aceleração que se intensificou em julho, chegando a uma média diária de 2.610 óbitos. 

O pior é que o pico da curva não parece estar perto para países como o México, que no sábado registrou 9.556 novos casos e 764 mortes, segundo dados da secretaria de Saúde federal. E alguns especialistas estimam que o número de mortos oficialmente declarado na região está subestimado.

Brasil e México lideram a lista dos países latino-americanos mais afetados pelo novo coronavírus, com 93.563 e 47.472 mortos, respectivamente. Em seguida estão Peru (19.408), Colômbia (10.330) e Chile (9.533).

 

A covid-19 voltou a ganhar força no Peru um mês após o levantamento oficial da quarentena em grande parte do país, ao fechar o mês de julho com um recorde de 7.448 novos casos em 24 horas. O sétimo país do mundo e o terceiro da América Latina com mais casos de covid-19, o Peru soma 407.492 contágios e 19.408 mortes desde 6 de março, quando foi detectado o primeiro caso. 

A última semana foi especialmente crítica, pois a propagação do vírus voltou a acelerar um mês após o governo levantar as restrições em 18 das 25 regiões do país e duas semanas após a retomada do transporte regular entre as províncias. No início de julho, os contágios diários estavam diminuindo lentamente, com números abaixo de 3 mil casos por dia. Mas agora estão sendo registradas mais de 7 mil infecções diárias, como nos últimos três dias.

O número de casos confirmados na América Latina e no Caribe se aproxima dos 5 milhões. 

As Américas registram 9,47 milhões de infectados. Deles, mais da metade está situada no Brasil (mais de 2,7 milhões de casos oficialmente declarados), o que o torna o segundo país com mais casos no mundo, atrás dos Estados Unidos (mais de 4,6 milhões de casos).Os EUA, que registraram em 24 horas mais de 61 mil casos e 1.051 mortes, é o país mais afetado no mundo pela pandemia com mais de 154.449 mortos e mais de 4,6 milhões de casos.

Perigo longo

A Organização Mundial de Saúde (OMS) advertiu que a pandemia provavelmente será “muito longa”, em meio a uma intensa corrida em busca de uma vacina contra o vírus. Seis meses após declarar emergência internacional, a OMS destacou que “continua avaliando em muito elevado o nível de perigo global pela covid-19”.

Enquanto a América Latina, os EUA, a Europa e outras regiões do mundo sofrem com recessões econômicas históricas, a OMS advertiu sobre “o risco de afrouxar a resposta (à covid-19) em um contexto de pressões socioeconômicas”.

A fronteira dos EUA está fechada a viagens não essenciais desde 21 de março e permanecerá assim até o dia 20 de agosto. Medidas que também se aplicam a outros países, como o Canadá, que anunciou nova prorrogação no fechamento de suas fronteiras, exceto para os americanos, até 31 de agosto. A Argentina também freou a flexibilização das medidas por ao menos duas semanas em razão do aumento de contágios. 

Bolívia encerra ano letivo por falta de acesso à web

O governo boliviano ordenou ontem o encerramento antecipado do ano letivo, que duraria até dezembro, principalmente porque os estudantes das áreas rurais carecem de acesso adequado à internet, o que lhes impede ter acesso ao ensino virtual.

“Vimos que é conveniente encerrar o ano escolar. Encerramos especialmente porque a grande maioria da área rural não conta com internet”, anunciou Yerko Núñez, ministro da Presidência em entrevista coletiva. “O sistema de fibra ótica, lamentavelmente, só chega às cidades”, acrescentou. Na Bolívia, 40% da população vive em áreas rurais.

A medida, que entra em vigor a partir de hoje, supõe a aprovação automática dos estudantes para o ano seguinte e garante o pagamento regular de salários aos professores da rede pública.

Nicaraguenses voltam para casa após testar negativo

Mais de uma centena de nicaraguenses que estiveram mais de duas semanas presos na fronteira com a Costa Rica puderam voltar ontem a seu país após dar negativo em testes de covid-19 realizados com a ajuda de entidades privadas. Do grupo, 148 puderam entrar em seu país, mas 21 deram positivo para o novo coronavírus e deverão permanecer na Costa Rica, onde estão recebendo atendimento médico em barracas doadas.

Cerca de 300 nicaraguenses que perderam seus empregos por causa da pandemia ficaram presos na fronteira depois que o governo de Daniel Ortega exigiu o teste de covid-19. Dezessete decidiram ficar na Costa Rica e cerca de uma centena foi admitida na Nicarágua por questões humanitárias. Por causa do custo do teste, mais de US$ 100, eles ficaram na fronteira sob sol e chuva e dependendo de ajuda para se alimentar.

Chile iniciará fase 3 de testes clínicos de vacina

As autoridades chilenas anunciaram ontem que será iniciada a fase 3 de testes clínicos de uma vacina contra a covid-19. “O protocolo consiste em um trabalho com mais de 3 mil voluntários, que serão coordenados com critério de saúde”, disse o reitor da Universidade Católica, Ignacio Sánchez. “Terá medição de resposta clínica, com a geração de anticorpos nas pessoas que serão testadas”, acrescentou. Ele explicou que os voluntários serão estudados até o final do ano com o objetivo de poder fabricar as vacinas em grande escala a partir de 2021.

 

O governo chileno informou ontem que foram registrados 2.081 novos contágios pelo novo coronavírus e 75 mortes em 24 horas, elevando a 357.658 os casos e 9.533 os mortos pela covid-19 no Chile, onde a situação tem permanecido estável nos últimos dias. / AFP, EFE e REUTERS

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