América Latina e UE pregam metas globais contra crise alimentar

A América Latina e a União Européiaalertaram na cúpula de Lima que é preciso estabelecer objetivosglobais urgentes para evitar que a crise dos alimentos no mundomate milhões de pessoas de fome. A proposta foi lançada pelo presidente peruano, AlanGarcía, no início de uma reunião de líderes da América Latina,do Caribe e da União Européia nesta sexta-feira, em Lima. Em resposta, líderes de ambos os blocos se comprometeram atomar medidas concretas para evitar o agravamento da crisealimentar, sentida especialmente na América Central. "Que não recaia sobre nós a vergonha de não ter feito algoconcreto e coordenado para evitar este inferno que se movesobre centenas de milhões de seres humanos carentes dealimentos", disse García no discurso de abertura da cúpula, emque propôs discussões sobre os temas comuns, ao invés dosassuntos polêmicos. "Alguns podem dizer que não são responsáveis pela mudançade cultivos para os biocombustíveis, outros poderão dizer que[a crise] é resultado do aumento do consumo dos grandes povos[China e Índia], mas a verdade é que inevitavelmente em curtoprazo, se é que já não começou esta crise, centenas de milhõesde seres humanos estarão ameaçados pela fome", acrescentou. O uso de biocombustíveis -- defendido especialmente peloBrasil -- estará na pauta da cúpula. Em declarações à imprensa, os presidentes do Chile,Michelle Bachelet, e da Venezuela, Hugo Chávez, cobrarammedidas concretas da reunião de chefes de governo. Chávez disse na quinta-feira que aproveitará o evento parapropor a criação de um fundo especial contra a pobreza, quepoderia alcançar até 1 bilhão de dólares se for apoiado pelosgovernos da América Latina e Europa. García, por sua vez, propôs a aplicação de uma taxa de meiodólar por barril de petróleo ou gás liquefeito para financiarum fundo que ajude a recuperar florestas do mundo, como medidapaliativa contra o aquecimento global. Ele mencionou também que os governos poderiam fixar comometa a elevação de sua produção de alimentos em 2 por cento. Em discurso, o presidente da Comissão Européia, José ManuelDurão Barroso, também manifestou preocupação com a crisealimentar, e afirmou que "a União Européia consideraimprescindível uma reação urgente." (Reportagem adicional de Teresa Céspedes, Marco Aquino eJean Luis Arce)

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