Juan Barreto/AFP
Juan Barreto/AFP

América Latina supera Europa em número de mortos por covid-19

Na última semana, região registrou 44% dos óbitos em todo o mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 20h38

A região da América Latina e Caribe se tornou nesta sexta-feira, 7, a de maior número de mortos pela covid-19, ao ultrapassar 213 mil, superando o número registrado na Europa, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais.

Com 213.120 mortes pelo novo coronavírus, a região superou o total de 212.660 óbitos da Europa. Nos últimos sete dias, 44% das mortes por covid-19 ocorridas no mundo foram registradas na América Latina e no Caribe (cerca de 18.300 de um total de 41.500).

A região também é a que registra o maior número de casos da pandemia, com 5,3 milhões, grande parte deles no Brasil. Com 2,9 milhões de casos e quase 98.500 mortos em uma população de quase 212 milhões de habitantes, o Brasil é o segundo país mais afetado do mundo em termos absolutos, atrás apenas dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 continua a arrasar o continente americano e a se espalhar pelo planeta. A Índia, terceiro país com mais casos, anunciou hoje que chegou a 2 milhões de infectados, com 41.585 mortos. Autoridades indianas testam apenas pacientes sintomáticos e especialistas consideram as cifras subestimadas.

Em todo o mundo, o balanço supera 19 milhões de casos declarados do novo coronavírus, incluindo 715.908 mortos, desde que o vírus foi relatado pela primeira vez, na China, no fim do ano passado, de acordo com o balanço da AFP.

Segundo país com mais casos na região, o México superou ontem 50 mil mortos, número que ultrapassou as previsões do governo de Andrés Manuel López Obrador, imerso em uma grave crise econômica e em críticas à condução da pandemia. O presidente minimizou a situação: "No conjunto das nações afetadas pela pandemia, não fomos tão atingidos", comentou hoje.

O novo coronavírus também continua avançando no Peru, que ultrapassou nesta quinta-feira 450.000 casos de covid-19, ocupando o terceiro lugar na América Latina em infectados e mortos.

Cuba, por sua vez, que parecia ver a luz no fim do túnel no combate à  covid-19, precisou voltar a restringir a circulação de veículos e pessoas na capital, Havana, após registrar o maior número diário de casos em três meses.

"Hoje, (é um dia) ruim, não podemos dizer mais nada", disse o chefe de Epidemiologia do Ministério da Saúde Pública, Francisco Durán, ao iniciar sua habitual entrevista coletiva sobre a pandemia. Na noite de ontem, 54 novos casos foram confirmados, 43 deles em Havana, o que representa o "maior número" dos "últimos meses", segundo Durán.

No Paraguai, um dos países latinos menos afetados, o aumento de infecções para quase meia centena na principal prisão do país preocupa. O surto, no presídio de Tacumbú, que abriga 2,6 mil presos, foi detectado há 10 dias. Autoridades também informaram que o país registrou ontem, pela primeira vez, cinco mortos por coronavírus em um dia.

A tensão continua aumentando na Bolívia, onde as eleições foram adiadas para evitar a propagação do vírus. O governo ameaçou hoje usar as forças policiais e militares para liberar estradas bloqueadas em seis dos nove departamentos do país, no quinto dia de protestos contra o adiamento das eleições para outubro, quase um ano após uma votação polêmica, anulada devido a irregularidades. /AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.