Americana refém por 11 anos perdoa sequestrador

Americana refém por 11 anos perdoa sequestrador

Em entrevista, Michelle Knight disse que só conseguiu ficar em paz com a violência que sofreu após um ano e meio de terapia

CHARDON, EUA, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2014 | 02h00

Uma das três mulheres mantidas em cativeiro por mais de uma década em Ohio, nos Estados Unidos, afirmou que perdoou o criminoso, Ariel Castro, por tê-la sequestrado. Em entrevista a uma rádio, no domingo, Michelle Knight, de 33 anos, disse que só conseguiu ficar em paz com a violência que sofreu após um ano e meio de terapia, quando entendeu que Castro sofria de uma doença e não era responsável pelo que fez.

"Eu fui capaz de dizer o nome dele, Ariel Castro. Eu fui capaz de perdoá-lo", disse Knight a estudantes da escola Notre Dame Cathedral, em Chardon, no Estado de Ohio.

Castro assumiu a culpa por uma longa lista de crimes e cometeu suicídio na prisão, em setembro de 2013. "Eu fiquei muito assustada com isso, mas eu entendi", disse Knight sobre a morte de Castro. "Eu não o condeno pelo que fez".

A vítima afirmou também que deseja o melhor para a família de Castro e foi aplaudida de pé pela plateia. Michelle escreveu um livro sobre o que passou no cativeiro, chamado Libertada (Editora Fontanar), para ajudar outras pessoas.

A ex-refém contou que o fato de ser considerada uma fonte de inspiração para as pessoas que a procuram em redes sociais significa muito.

Sequestros. Além de Michelle, também foram sequestradas por Castro Amanda Berry, de 27 anos, e Gina DeJesus, de 24 anos, que foram reféns por dez anos no porão da residência de Castro, onde apanhavam, eram vítimas de abuso sexual e sofriam tortura psicológica. Elas foram resgatadas em maio de 2013, após um vizinho ouvir pedidos de socorro e chamar a polícia.

Michelle concluiu seu discurso afirmando que o tempo que passou em cativeiro a deixou ainda mais forte e hoje ela conhece melhor a si mesma. "A situação em que ele (Castro) me colocou não me moldou. Eu escolhi viver uma vida cheia de significado", disse. / AP

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