Americana seqüestrada no Afeganistão pode ter sido assassinada

Trabalhadora humanitária de 50 anos foi capturada há um mês; nenhum grupo se responsabilizou pelo crime

Agência Estado e Associated Press,

27 de fevereiro de 2008 | 09h49

A trabalhadora humanitária americana Cyd Mizell, de 50 anos, e seu motorista afegão Abdul Hadi, seqüestrados num bairro da cidade de Kandahar em 26 de janeiro, foram aparentemente executados, informaram seus colegas de trabalho nesta quarta-feira, 27. Mizell trabalhava em projetos da Fundação para o Desenvolvimento da Vida Rural Asiática, ou ARLDF, na sigla em inglês. "Apesar de não termos fatos concretos que confirmem suas mortes, temos recebido informação que indicam que nossos dois trabalhadores foram assassinados", afirmou a ARLDF. O governador da província de Kandahar, Assadullah Khalid, e um oficial da Embaixada americana em Cabul não confirmaram a notícia. Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelos seqüestros. O grupo islâmico Taleban, ativo na região, negou ter capturado os trabalhadores. Um funcionário da ARLDF em Kandahar disse que o grupo recebeu a informação das mortes de duas fontes afegãs e que o grupo estava trabalhando com a Cruz Vermelha para tentar recuperar os corpos. Mizell vestia burca - o tradicional manto afegão que cobre as mulheres da cabeça aos pés - quando foi capturada. Ela ensinava inglês na Universidade de Cabul e deu aulas de bordado em escolas femininas. Mizell falava a língua local pashtun e trabalhou para a fundação em Kandahar nos últimos três anos. Ainda nesta quarta-feira, militantes emboscaram o comboio que transportava o ministro do Interior, Zarar Ahmad Muqbal, no distrito de Surobi, na província de Cabul. Os militantes, com granadas propelidas por foguetes e armas leves, travaram um combate de 40 minutos com seguranças do ministro, e depois fugiram para vilas próximas. Ahmad Muqbal escapou ileso e voltou para Cabul. No distrito de Sharan, também nesta quarta, na província oriental de Paktika, dois soldados poloneses da Otan foram mortos num atentado a bomba numa estrada. Com as baixas desta quarta, subiu para 21 o número de soldados estrangeiros mortos no Afeganistão em 2008. Em 2007, mais de 6.500 pessoas foram mortas na violência relacionada com a insurgência, incluindo 222 soldados estrangeiros. Foi o ano mais mortífero para as tropas estrangeiras desde a invasão americana do Afeganistão em 2001.

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