AP Photo/Koji Ueda
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Americanas resgatadas do Pacífico não haviam ativado o rádio sinalizador para emergências

Porta-voz da Guarda Costeira disse que dispositivo estava a bordo, mas nunca foi ligado; Jennifer Appel e Tasha Fuiava alegaram que optaram por não ativá-lo pois nunca temeram por suas vidas

O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 15h33

HONOLULU - A Guarda Costeira dos EUA anunciou na segunda-feira 30 que as duas moradoras de Honolulu, no Havaí, que ficaram à deriva após o motor da embarcação em que estavam parar de funcionar durante uma tempestade, nunca ativaram o rádio sinalizador para emergências. A informação é mais uma na lista de inconsistências que rondam o caso.

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O porta-voz da Guarda Costeira, Scott Carr, disse à agência de notícias Associated Press que analisou o incidente e as entrevistas com as sobreviventes, que explicaram que havia um rádio sinalizador a bordo, mas nunca foi ligado. As mulheres contaram que optaram por não ativar o dispositivo pois nunca temeram por suas vidas.

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Algumas partes da história contada pelas sobreviventes estão sendo questionadas, incluindo a tempestade tropical que as duas teriam enfrentado em sua primeira noite no mar em maio. Documentos do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA mostram que não houve formação de tempestades na região no começo do mês em questão.

Questionadas se havia um rádio de emergência a bordo da embarcação, as mulheres disseram na sexta-feira que tinham um número para outros dispositivos de comunicação, mas não mencionaram o rádio. Esse aparelho se conecta com satélites e envia as coordenadas de localização às autoridades. É ativado quando está submerso na água ou mesmo manualmente.

Durante os interrogatórios, Jennifer Appel, que estava a bordo com Tasha Fuiava, foi questionada se estava com o rádio e respondeu que sim e ele estava devidamente registrado. “Perguntamos por que durante todo esse tempo elas não ativaram o rádio. Ela havia dito que elas nunca sentiram que estavam realmente em perigo, como se fossem morrer em 24 horas”, disse a porta-voz da Guarda Costeira, Tara Molle.

Um funcionário da Guarda Costeira aposentado, responsável pelas operações de busca e resgate, disse que se as mulheres tivessem usado o rádio sinalizador, teriam sido encontradas. “Se o dispositivo estivesse funcionando e fosse ligado, um sinal deveria ter sido recebido muito, muito rapidamente de que a embarcação estava em perigo”, afirmou Phillip R. Johnson.

Esses sinalizadores são sólidos e fabricados para caírem no oceano. “Falhas são realmente raras”, disse Johnson, acrescentando que baterias velhas e fracas também poderiam fazer com que a unidade não funcionasse. / AP

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