Americano critica plano palestino de recorrer à ONU

Para Obama, decisão de votar independência na Assembleia-Geral é um ''erro'' e Abbas deve negociar com Israel

, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

LONDRES

Em visita à Grã-Bretanha, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse ontem considerar um "erro" a decisão da Autoridade Palestina de levar à Assembleia-Geral da ONU, em setembro, uma proposta unilateral de independência. Alinhado nesse ponto com o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, Obama disse que o caminho para a paz não passa pelas Nações Unidas, mas pelo diálogo direto com os israelenses.

"O único caminho para termos um Estado palestino é por meio de um acordo de paz justo entre Israel e a Autoridade Palestina (AP). Assim, acredito fortemente que seguir pelas Nações Unidas, em vez de sentar à mesa de negociações e falar com os israelenses, é um erro", afirmou o presidente. "Isso não serve aos interesses do povo palestino."

Os comentários foram feitos ao lado do primeiro-ministro britânico, David Cameron. O premiê, porém, evitou dizer se Londres apoiará ou não a iniciativa palestina na ONU, em setembro. Cameron afirmou apenas que o assunto "será discutido" com os demais países da União Europeia. "Não acreditamos que seja o momento de se tomar uma decisão sobre essa resolução da ONU, que nem existe ainda", disse o britânico.

Desde o acordo de reconciliação entre as facções rivais Fatah e Hamas, no mês passado, os palestinos têm reforçado a mensagem de que, caso Israel não pare de construir assentamentos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, recorrerão à ONU com um pedido unilateral de independência. Um resolução propondo o estabelecimento de um Estado palestino seria levada à sessão anual da Assembleia-Geral, em setembro.

Nos quatro discursos que fez em Washington, onde realiza visita oficial, o premiê israelense não poupou críticas ao plano diplomático palestino. Segundo Netanyahu, a AP, liderada por Mahmoud Abbas, "deve escolher entre a paz com Israel ou seu acordo com o Hamas".

Em fevereiro, foi apresentada ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução condenando assentamentos judaicos na Cisjordânia. O texto teve apoio de 14 dos 15 integrantes permanentes e rotativos, mas foi vetado pelos EUA. Ontem, Obama garantiu que Washington continuará se opondo "na ONU e em vários encontros internacionais" à independência unilateral dos palestinos.

Embora não tenham abandonado os planos de levar a questão à ONU, Ramallah teme ser responsabilizada pelo fracasso da mediação americana, sobretudo depois que Obama acatou uma velha reivindicação palestina ao afirmar que as fronteiras pré-1967 devem ser a base do processo de paz.

Abbas voltou ontem a criticar os discursos de Netanyahu nos EUA, mas evitou o embate com Washington. O líder palestino prometeu solicitar ao Quarteto - EUA, Rússia, União Europeia e ONU - a volta do diálogo nos termos delineados por Obama no início da semana.

Na Indonésia, onde participa de um encontro de chanceleres de países não alinhados, o ministro das Relações Exteriores da AP, Riad Malki, disse acreditar que Ramallah já tenha votos suficientes para aprovar a resolução na ONU.

"Posso lhe dizer que os sinais que estou recebendo são positivos", afirmou. "Muitos chanceleres estão furiosos com o discurso de Netanyahu e posso dizer que estamos fazendo um bom uso disso em nosso benefício." O Brasil é um dos países que devem apoiar a proposta palestina na ONU.

Egito. O governo provisório do Egito determinou ontem a abertura da passagem de Rafah, único posto de fronteira da Faixa de Gaza não controlado por Israel. A fronteira seria reaberta a partir de sábado. / AP

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