Americano e australiano renunciam em protesto contra a guerra

Um diplomata americano pediu demissão em protesto contra a política de seu país em relação ao Iraque. John Brown, que trabalhava no Departamento de Estado, disse acreditar que os Estados Unidos estão ficando associados, em todo o mundo, ao uso injustificado da força.Ele acusou o presidente americano, George W. Bush, de não levar em consideração a opinião de outros países. É a segunda vez este ano que um diplomata americano pede demissão pelo mesmo motivo.Em fevereiro, John Kiesling, que trabalhava na embaixada americana em Atenas, na Grécia, deixou o posto por causa da política externa do governo Bush.?Estou me juntando a meu colega John Brady Kiesling, ao submeter o meu pedido de demissão ao Ministério das Relações Exteriores ? com efeito imediato ? porque não posso, em sã consciência, apoiar os planos de guerra do presidente Bush contra o Iraque?, disse ele, em carta ao secretário de Estado, Colin Powell.?A falta de consideração do presidente com as opiniões de outros países, nascida de sua negligência com a diplomacia pública, está dando origem a um século antiamericano?, afirmou.Dois altos funcionários do Departamento de Estado confirmaram que Powell recebeu a carta de Brown, que tinha servido em embaixadas em Londres, Praga, Cracóvia, Kiev, Belgrado e Moscou.AustralianoUm alto funcionário de inteligência australiano também renunciou em protesto contra as políticas de seu governo contra o Iraque, enquanto o primeiro-ministro John Howard preparava um discurso em que apresentará suas posições de apoio a Washington.Andrew Wilkie, um alto analista de inteligência, indicou que uma ação militar contra o Iraque poderá trazer conseqüências graves. "Invadir o Iraque é exatamente o tipo de ação que com maior segurança levará Saddam (Hussein) a fazer as coisas que estamos tentando evitar, obrigando-o a atuar de maneira impulsiva e usar armas de destruição em massa e talvez fazer uso do terrorismo", disse Wilkie à rede televisão Nine Network. O alto funcionário fez essas afirmações antes de renunciar a seu posto no Excritório de Avaliações Nacionais, que fornece ao governo as análises de inteligência.Sua renúncia é o mais recente sinal da oposição à política de Howard a favor dos planos americanos de desarmar o Iraque à força, com ou sem aprovação das Nações Unidas. Howard enviou 2.000 soldados para o Golfo Pérsico, em apoio à forças britânicas e americanas. Recentes pesquisas indicam que uma grande maioria dos australianos se opõe à guerra contra o Iraque sem a autorização da ONU. Nas últimas semanas, meio milhão de australianos participaram de protestos maciços, unindo suas vozes às que, em todo o mundo, exigem que parta da ONU uma solução para a crise. Para ler o noticiário da BBC, que é parceira do estadao.com.br, clique aqui.

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