Americano irá a corte marcial aberta no Iraque

Um policial militar americano irá a cortemarcial aberta ao público, em Bagdá, no dia 19 para responder aacusações de abusos contra prisioneiros iraquianos no presídiode Abu Ghraib, situado na zona oeste da capital. Desde que no fim de abril estourou o escândalo das torturasinfligidas aos detidos, este é o primeiro anúncio de julgamentoaberto de um membro das Forças Armadas dos Estados Unidosenvolvidos no caso. Jeremy Sivits, de 24 anos, é acusado de maus-tratos, abandonodo dever e negligência na proteção de presos. A imprensaamericana observou que Sivits talvez seja uma das pessoas quetiraram as fotos de prisioneiros nus, submetidos a humilhaçõessexuais. "O tribunal militar ficará aberto ao público. Não é nossaintenção esconder nada", disse o vice-diretor de Operações dosEUA em Bagdá, general Mark Kimmitt. Não ficou claro se o julgamento poderá ser televisionado. Adecisão de apressar o julgamento e torná-lo acessível ao públicoiraquiano é resultado da indignação mundial causada pelas fotosdos abusos, exibidas primeiro pela TV americana CBS e depoisretransmitidas por órgãos de imprensa de diversos países. Sete militares irão a corte marcial e outros sete forampunidos com sanções disciplinares. Segundo a cúpula do Exércitodos EUA, a Justiça militar investiga 14 mortes em prisões noAfeganistão e no Iraque. Em sua edição de hoje, o diário americano The Washington Postdestacou, citando uma fonte no Pentágono, que imagens ainda maischocantes, em vídeo, poderão ser divulgadas em breve. OCongresso terá acesso a essas fitas, segundo altos funcionáriosamericanos. "Há muitas, muitas investigações sobre mortes no Afeganistão eIraque", disse à CBS o senador republicano Chuck Hagel."Provavelmente, na casa de 30, talvez mais." O renomado jornalista Seymour Hersh, da revista New Yorker,publicou hoje um artigo assinalando que as fotos de torturas nãosão casos isolados, mas parte de um processo desumano deinterrogatórios. A revista publica esta semana foto em que se vê um prisioneironu, ferido, acossado por um cão. Outras imagens, não publicadas,mostram um preso sendo espancado, uma mulher estuprada e"tratamentos impróprios" de um cadáver. Três soldados do Real Regimento de Fuzileiros da Grã-Bretanhaforam acusados de obrigarem presos iraquianos a manteremrelações homossexuais, informou hoje o semanário britânico TheObserver. O jornal frisa que membros do serviço de inteligênciaparticiparam de interrogatórios na prisão de Abu Ghraib, emBagdá. Mas o Ministério da Defesa britânico nega que eles tenhampraticado torturas. Outro dominical local, The Independent on Sunday, informou quemilitares britânicos estão sendo acusados de terem matado asangue frio oito civis iraquianos. Parlamentares britânicos exigiram hoje que o governo publiqueum relatório do Comitê Internacional da Cruz Vermelha comacusações detalhadas de que soldados da coalizão liderada pelosEUA abusaram de prisioneiros iraquianos. Por sua vez, o grupo de defesa dos direitos humanos AnistiaInternacional insistiu que avisou autoridades britânicas sobreos abusos há um ano. O Ministério da Defesa da Grã-Bretanha não confirmou quandorecebeu as denúncias, mas garantiu que elas vêm sendoinvestigadas desde o ano passado. Enquanto isso, autoridades suíças adotaram a rara atitude deconvocar os embaixadores de EUA e Grã-Bretanha para exigirrespeito às leis internacionais nos casos de abusos deprisioneiros no Iraque, disse Carine Carey, porta-voz dachancelaria suíça. Ela disse à The Associated Press que a embaixadora americanaPamela Willeford e o embaixador britânico Simon Featherstoneforam convocados juntos na sexta-feira em Berna. A Suíça é adepositária das Convenções de Genebra. Em Istambul, mais de 8.000 pessoas marcharam pelas ruas dacidade para protestar contra a ocupação do Iraque por forçaslideradas pelos EUA e contra os abusos cometidos contrairaquianos detidos pelas tropas de ocupação.

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