Americano pivô de condenação de Suu Kyi é deportado de Mianmar

Libertação ocorreu após visita de senador dos EUA, que também pediu soltura da líder oposicionista.

BBC Brasil, BBC

16 de agosto de 2009 | 08h21

O americano John Yettaw, que havia sido preso em maio em Mianmar após visitar a líder oposicionista Aung San Suu Kyi em sua prisão domiciliar, foi libertado e deportado do país neste domingo.

A visita de Yettaw provocou uma nova condenação a Suu Kyi, na última semana, para mais 18 meses de prisão domiciliar, por supostamente não respeitar os termos de sua prisão anterior ao deixar o americano entrar em sua casa.

Yettaw deixou o país neste domingo em um avião militar acompanhado do senador americano Jim Webb, que negociou sua libertação em um encontro com o líder da junta militar que governa Mianmar, Than Shwe, no sábado.

Webb é a mais alta autoridade americana a se reunir com Shwe. O senador também se reuniu no sábado com Suu Kyi.

Yettaw havia sido condenado a sete anos de trabalhos forçados após a visita à líder oposicionista, prêmio Nobel da Paz de 1991.

Após sua prisão, em maio, ele disse que havia sido mandado por Deus para avisar Suu Kyi que ela seria assassinada.

A mulher de Yettaw, Betty, disse à BBC estar muito feliz ao ouvir a "maravilhosa notícia" de sua libertação.

Visita criticada

O senador Jim Webb agradeceu às autoridades de Mianmar pela libertação de Yettaw.

"Eu não vou pedir desculpas pelas ações que ele tomou, mas acredito que este foi um bom gesto de seu governo para nosso país de deixá-lo voltar para casa, para sua família, por razões humanitárias", disse ele antes de embarcar aos Estados Unidos.

A visita de Webb, porém, foi criticada por dissidentes de Mianmar, que afirmam que ela pode ser vista como um endosso do tratamento recebido por Suu Kyi e por mais de 2.000 prisioneiros políticos.

Segundo o gabinete do senador, ele também pediu aos líderes de Mianmar a libertação de Suu Kyi.

A visita de Yettaw, em maio, aconteceu poucos dias antes da data da possível libertação da líder oposicionista, após cinco anos de prisão domiciliar.

A nova condenação de Suu Kyi a impede de participar das eleições planejadas para o próximo ano no país. Ela passou 14 dos últimos 20 anos sob prisão domiciliar.

O Conselho de Segurança da ONU expressou "sérias preocupações" com a nova condenação da líder oposicionista, e a União Européia ampliou suas sanções contra o regime militar de Mianmar.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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