AP Photo/Oklahoma Department of Corrections
AP Photo/Oklahoma Department of Corrections

Americano que alega inocência deve ser executado nesta quarta-feira em Oklahoma

Richard Glossip, de 52 anos, foi condenado à morte por planejar o assassinato de seu chefe, em 1997; advogados alegam terem evidências que provariam a inocência do condenado

O Estado de S. Paulo

30 Setembro 2015 | 09h50

OKLAHOMA CITY - O Estado de Oklahoma deve executar nesta quarta-feira, 30, um homem condenado por contratar assassinos de aluguel para executarem o dono de um motel, apesar de os advogados do condenado alegarem que possuem evidências que provam sua inocência.

O Estado planeja executar Richard Glossip, de 52 anos, por volta das 15 horas (17 horas em Brasília) com uso de injeção letal. Glossip foi considerado culpado por planejar, em 1997, o assassinato de Barry Van Treese, proprietário de um motel em Oklahoma City que era gerenciado pelo condenado.

Seus advogados, porém, dizem não haver evidências físicas que liguem Glossip ao crime, que ele foi condenado praticamente apenas com base no depoimento de Justin Sneed, então com 19 anos, que confessou a autoria do crime e afirmou ter sido contrato por Glossip.

Atualmente, Sneed cumpre prisão perpétua. Ele não foi condenado à morte por ter testemunhado contra Glossip.

Os advogados de Glossip apresentaram novas declarações de informantes dizendo que Sneed confessou a suposta armação de Glossip para evitar uma sentença de morte.

O Tribunal de Apelações Criminais Oklahoma negou na segunda-feira um pedido para suspender a execução, dizendo, em uma decisão por maioria, que a evidência não era nem novo nem atraente o suficiente para merecer o adiamento da execução. Os advogados de Glossip entraram com pedidos em tribunais federais para adiar a execução.

"O risco substancial de executar um homem inocente claramente é uma justificativa adequada para que seja conduzida uma audiência probatória", escreveram os advogados do condenado em pedido enviado à Suprema Corte dos EUA.

Um tribunal de apelações Oklahoma tinha revertido uma condenação anterior, dizendo que as provas contra Glossip eram "extremamente fraca". O caso voltou a um júri em 2004, que o considerou culpado e confirmou a sentença de morte.

A governadora de Oklahoma, Mary Fallin, uma republicano, disse Glossip foi justamente condenado por dois júris e merece morrer por seu crime.

Glossip também tentou impedir sua execução afirmando que uma das drogas usadas na mistura da injeção letal do Estado pode causar sofrimento desnecessário.

Se realizada, a execução de Glossip seria a primeiro em Oklahoma desde que a Suprema Corte dos EUA decidiu em junho que o uso de midazolam, um sedativo para o procedimento de injeção letal, não viola a proibição da Constituição dos EUA sobre a punição cruel e incomum.

Os advogados de Glossip e outros condenados à morte em Oklahoma contestam o uso de midazolam, dizendo que a droga não poderia atingir o nível de inconsciência necessária para a cirurgias e seria, portanto, inadequada para as execuções. / NYT

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