Americano que lutou pelo Taleban pode estar preso

A coalizão contra o terrorismo liderada pelos Estados Unidos está verificando informações segundo as quais um prisioneiro taleban encontrado na fortaleza de Qalai Janghi é norte-americano - e as autoridades parecem acreditar em sua história. "Ele diz ser um cidadão norte-americano. Estamos checando. Eu não tenho motivo para acreditar que ele não seja", disse nesta segunda-feira Kenton Keith, porta-voz da coalizão em Islamabad, capital do Paquistão. O homem identificou-se como John Walker e foi detido pelas forças norte-americanas após ser tratado de seus ferimentos, disse Keith. "Creio ser cedo demais para especular sobre o que acontecerá com ele." Um comandante da Aliança do Norte também conformou que o prisioneiro foi detido pelas forças especiais norte-americanas. Mas o general Hoji Habib, localizado na noite de hoje por telefone via satélite no norte do Afeganistão, não forneceu mais nenhum detalhes sobre as condições do homem. Ele estava entre um grupo de mais de 80 combatentes pertencentes ao Taleban que saíram de seu esconderijo no sábado depois de soldados da Aliança do Norte terem utilizado água gelada para obrigá-los a sair. A fortaleza - quartel general do "senhor da guerra" afegão general Rashid Dostum, responsável pela cidade de Mazar-i-Sharif situada nas proximidades - foi o cenário de três dias de um duro combate qualificado por oficiais como uma rebelião de prisioneiros iniciada em 25 de novembro. Havia informações conflitantes sobre o prisioneiro que diz ser norte-americano. Em entrevista publicada no site da revista Newsweek na Internet na noite de ontem, seus pais o identificaram por fotos como John Philip Walker Lindh, de 20 anos, natural de Fairfax, Califórnia. A CNN informou que Walker, convertido para o islamismo, sofreu ferimentos causados por granadas e balas. De acordo com a Newsweek, Walker identificou-se como Abdul Hamid. Na entrevista para a Newsweek, Marilyn Walker descreveu seu filho como "uma criança doce e tímida" que viajou ao Paquistão ao lado de um grupo humanitário para ajudar os pobres. Segundo Marilyn, as notícias sobre a captura de seu filho são as primeiras que ela recebeu sobre o paradeiro dele desde que deixou um escola religiosa na província paquistanesa de Fronteira do Norte, onde ele estudou o Corão - livro sagrado do Islã -, há sete meses. "Se ele se envolveu com o Taleban, deve ter havido uma lavagem cerebral", comentou a mãe, uma funcionária do serviço de saúde local. "Ele era isolado. Conhecia pouca gente no Paquistão. Quando você é jovem e impressionável, é fácil se deixar levar por pessoas carismáticas." De acordo com a mãe, Walker nasceu em Washington, D.C., e seu pai é Frank Lindh, um advogado. Lindh e Marilyn Walker são divorciados.Leia o especial

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