Departamento de Correções do Kansas / The New York Times
Departamento de Correções do Kansas / The New York Times

Americano que passou 17 anos preso por crime que não cometeu pede indenização de mais de US$ 1 mi

Richard Jones foi condenado por roubo qualificado após ter sido apontado por algumas testemunhas como o responsável pelo roubo de um celular

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2018 | 11h00

Há quase duas décadas, Richard Jones foi condenado por roubo qualificado após ter sido apontado por algumas testemunhas como o responsável pelo roubo de um celular no estacionamento de um supermercado em Kansas, nos EUA. Mas enquanto ele - que continuou alegando inocência - cumpria sua pena de 19 anos de reclusão, colegas de cela diziam que ele se parecia muito com um preso chamado Ricky Amos. Tal semelhança levaria à liberdade de Jones.

Em 2017, um juiz libertou Jones depois que testemunhas viram fotos de dois homens e alegaram que não podiam notar as diferenças entre eles. Agora, Jones está com 42 anos e tenta reconstruir sua vida.

Ele preencheu uma petição na quarta-feira no 10.º Tribunal Distrital Judicial do Kansas pedindo uma indenização de US$ 1,1 milhões do Estado - ou cerca de US$ 65 mil por cada um dos 17 anos em que ele passou na prisão por um roubo que não cometeu. Ele foi para a cadeia quando tinha 25 anos de idade e era pai de duas adolescentes.

“Perdi uma grande parte da minha vida que jamais terei de volta”, disse Jones. “Estou apenas tentando me estabelecer. Ainda estou em transição.”

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As filhas de Jones estão agora com 24 e 19 anos, e ele já é avô. “Eu era uma parte importante da vida delas, e quando fui preso, foi difícil para mim porque eu estava acostumado a ficar perto das minhas filhas.”

O advogado de Jones, Richard Ainsworth, afirmou que eles aguardavam um certificado de inocência e compensação para que pudesse “finalmente seguir em frente com sua vida após passar mais de 17 anos na prisão por um crime que não cometeu”. “Essa compensação é relativamente pequena dadas as dificuldades incomensuráveis de 17 anos de prisão injusta”, diz a petição.

O caso de Jones destaca as falhas nas condenações que têm por base a identificação por testemunhas, a única causa deste tipo de erro nos EUA. Essas identificações correspondem a mais de 75% das condenações revertidas por testes de DNA, segundo o Projeto de Inocência do Meio-Oeste, que ajudou o americano a ser solto.

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No caso de Jones, não havia nenhuma evidência física de que ele estava na cena do crime ocorrido no dia 31 de maio de 1999, em Roeland Park, de acordo com a petição. Neste dia, ele estava em sua casa em Kansas, no Estado do Missouri.

Jones conseguiu deixar a prisão no dia 7 de junho de 2017. “Quero apenas limpar meu nome”, disse. / NYT

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