AP Photo/Carolyn Kaster
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Americanos apoiam acesso a iPhone para investigações do FBI, revela pesquisa

51% das pessoas entrevistadas pelo Pew Research Center acreditam que Apple deveria desbloquear telefone para autoridades; empresas de tecnologia temem que prática crie precedente

O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2016 | 16h23

WASHINGTON - Mais da metade dos americanos apoiam o governo em seu pedido para que a Apple desbloqueie os dados do iPhone do suspeito do ataque terrorista de dezembro em San Bernardino, na Califórnia, no qual 14 pessoas morreram, apesar da recusa da gigante tecnológica.

De acordo com uma pesquisa divulgada na segunda-feira pelo Pew Research Center, 51% dos americanos acreditam que a Apple deveria desbloquear o iPhone para facilitar a investigação do FBI.

Apenas 38% dos entrevistados se posicionaram a favor da Apple, que justificou a recusa defendendo a proteção da privacidade dos usuários, o que originou uma batalha judicial entre ambos. Os 11% restantes não se pronunciaram sobre a questão.

A pesquisa mostra que 75% dos americanos conhecem ou ouviram falar da disputa entre a multinacional e o governo, que foi alvo de cobertura midiática e discussões ao longo da semana passada. 

Além disso, o estudo indica que não é uma questão de ideologia política, já que tanto republicanos (56%) como democratas (55%) apoiam por maioria a posição do governo. A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 21 de fevereiro com ligações telefônicas a 1.002 adultos em todo o país e tem margem de erro de 3,7%. 

Divergência. O bilionário fundador da Microsoft, Bill Gates, afirmou em entrevista ao jornal Financial Times ser favorável ao pedido feito pelo governo à Apple por acreditar que o caso não vá abrir um precedente para outras situações similares.

"Este é um caso específico no qual o governo está pedindo ajuda para ter acesso a essas informações. Eles não estão pedindo por uma coisa geral, estão pedindo em um caso particular", disse Gates ao jornal. O bilionário afirmou ser necessário, porém, que existam regras para determinar "quando o governo pode ter acesso a determinados tipos de informação".

Por outro lado, a gigante de buscas Google considera que a indústria tecnológica tem que analisar com detalhes sua postura com relação à queda de braço legal entre Apple e FBI porque acredita que se a empresa ceder ao requerimento das autoridades, abrirá procedente para exigências similares no futuro.

"Temos que achar um equilíbrio. Há uma nova área aqui que precisamos analisar. Se ocorrer uma vez, teoricamente pode se repetir em múltiplas ocasiões. E isso é exatamente sobre o que temos que refletir", indicou o vice-presidente do Google e responsável do Android, Hiroshi Lockheimer. "É um novo cenário legal que não tínhamos previsto, é necessário pensar minuciosamente", defendeu o diretor.

Já o fundador de Facebook, Mark Zuckerberg, disse na segunda-feira que se "solidariza" com a Apple, mas disse que as companhias tecnológicas têm uma "grande responsabilidade" na hora de ajudar a evitar atos terroristas e de lutar contra o terrorismo. "Não quero que haja terroristas no Facebook", relatou. / EFE e REUTERS

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