Americanos atacam comboio em operações terrestres

No primeiro ataque da nova fase da guerra contra o terror liderada pelos EUA no Afeganistão helicópteros artilhados Cobra dispararem hoje contra uma coluna de veículos militares inimigos que se aproximava de uma base aérea recém-conquistada nas proximidades de Kandahar, último reduto da milícia fundamentalista islâmica Taleban no país. Segundo o capitão americano David Romley, a coluna era formada por cerca de 15 tanques e veículos blindados de transporte de tropas. Os EUA apossaram-se do campo de pouso no domingo à noite, marcando o início das operações por terra de grande envergadura, que se seguem à campanha de ataques aéreos iniciada em 7 de outubro. O Pentágono anunciou que 500 membros do Corpo de Fuzileiros Navais já atuam na região e pelo menos outros 500 marines seriam transportados para o território afegão nas próximas horas. "Os marines estão atuando no solo e nós temos agora um pedaço do Afeganistão", disse hoje o general James Mattis, comandante da força-tarefa a bordo do navio de assalto USS Peleliu, estacionado no Mar da Arábia. Os soldados americanos começaram a desembarcar no Afeganistão no domingo à noite, transportados por helicópteros tanto do Peleliu quanto de outro navio de guerra estacionado nas proximidades, o USS Bataan. "Teremos mais de mil marines em terra em dois dias e isso deve impedir que os talebans circulem livremente pela região", completou Mattis. Fontes afegãs e paquistanesas informaram que a base aérea foi capturada com a ajuda de integrantes de tribos pashtuns que se opõem ao Taleban. A instalação pode servir de quartel-general para os militares americanos que passarão agora atuar no solo para tentar capturar o terrorista saudita Osama bin Laden e assediar os talebans em Kandahar. O presidente americano, George W. Bush, no entanto, voltou a advertir hoje que a missão das forças de terra deve produzir baixas entre os soldados dos EUA. "Os EUA devem estar preparados para a perda de vidas humanas", declarou num encontro com jornalistas em Washington. "As operações militares no Afeganistão entram agora em uma fase mais perigosa e este é o momento em que passamos a perseguir os responsáveis pelos ataques aos EUA", afirmou, referindo-se aos atentados de 11 de setembro. "A missão é conduzir a Al-Qaeda (organização terrorista liderada por Bin Laden) à Justiça e garantir que o Afeganistão não volte a ser um santuário para terroristas." A iniciativa de desembarcar com tropas próprias na área de Kandahar pode ter sido forçada pela decisão da Aliança do Norte de não enviar soldados ao sul do Afeganistão neste momento. "Não temos planos para enviar tropas para Kandahar", confirmou hoje o encarregado das Relações Exteriores da aliança, Abdullah Abdullah. Ao mesmo tempo, líderes Taleban anunciaram hoje que combaterão até a morte as tropas americanas no sul do país. "Estamos decididos a combater as forças dos EUA até nosso último suspiro", afirmou o porta-voz do Taleban, Maulvi Abdullah, à agência de notícias afegã AIP. Apesar de o Taleban ter abandonado todas as cidades do norte do país praticamente sem lutar, o Pentágono está preparado para uma feroz resistência em Kandahar. "Não posso imaginar gente como o mulá Omar (Mohammed Omar, líder supremo do Taleban) se rendendo", disse hoje o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld. "O mais certo é que eles lutem até o fim." "Aparentemente Omar está se concentrando na organização da tática de combate, enquanto Bin Laden parece mais concentrado em sua necessidade de esconder-se", declarou, por seu lado, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Richard Myers. Leia o especial

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